Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Marcelo de Moraes

‘Provas abundantes’ colocam Crivella como chefe de organização criminosa, diz desembargadora

Equipe BR Político

Exclusivo para assinantes

De acordo com ofício encaminhado pela desembargadora Rosa Helena Penna Macedo Guita ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) há “provas abundantes” que colocam o prefeito afastado do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (Republicanos), como chefe da organização criminosa montada para desviar recursos públicos na capital carioca. Em documento de 11 páginas, a desembargadora se manifestou sobre o caso após o presidente do STJ, Humberto Martins, cobrar explicações sobre a prisão do bispo.

Foto: Wilton Junior/Estadão

Ao justificar a ação, deflagrada no último dia 22, a desembargadora aponta que o argumento de que a soltura de Crivella não colocaria em risco a ordem pública é o mesmo que “querer fechar os olhos à realidade dos chamados crimes do ‘colarinho branco’”.

Ainda na noite do dia 22, o presidente do STJ decidiu colocar o prefeito em prisão domiciliar, com tornozeleira eletrônica.

Esquema

De acordo com a desembargadora, o doleiro Sérgio Mizrahy, em sua delação premiada, narrou com “riqueza de detalhes” o esquema criminoso liderado por Crivella. Esse esquema envolvia, além de operadores, membros da administração municipal, empresários e pessoas físicas e jurídicas que atuavam como “laranjas”.

Quanto ao envolvimento de Crivella no esquema, a desembargadora afirmou entender “haver indícios mais do que suficientes (para a prisão)”.

“As facilidades obtidas junto à Prefeitura jamais teriam sido alcançadas se não houvesse a expressa conivência do Sr. Prefeito, como se tentou demonstrar naquela decisão. As estreitas ligações entre ele e aquele que foi apontado por todos como o operador financeiro do esquema criminoso, Rafael Alves, está mais do que demonstrada nos autos e no decreto de prisão”.