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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

PSB mira em 2020 e 2022 com saída do Foro de SP

Marcelo de Moraes

Na eleição presidencial passada, o PSB chegou a sonhar com uma candidatura própria e quase convenceu o ex-presidente do STF Joaquim Barbosa a liderar o projeto. Barbosa desistiu da ideia e o PSB acabou preferindo priorizar alianças regionais em vez de aceitar o convite do PDT para se aliar em torno da candidatura de Ciro Gomes. No fim das contas, grande parte do PSB embarcou na campanha do petista Fernando Haddad. Mas dirigentes do partido continuam achando que uma candidatura presidencial distante do PT, como Ciro fez no PDT, teria sido o melhor movimento.

Com a resolução aprovada hoje, quando se retira oficialmente do Foro de São Paulo e passa a condenar o governo do ditador venezuelano Nicolás Maduro, o PSB tenta retomar esse caminho político. A distância do Foro e da Venezuela marca uma direção diferente da assumida pelo PT e o partido passa a ser o primeiro chamado partido da linha progressista a romper com o Foro. Essa tentativa de mostrar independência mira a eleição de 2022, quando o PSB espera construir uma candidatura nacional de centro-esquerda sem precisar seguir o PT.

Mas a movimentação também ataca um objetivo mais próximo que é a eleição municipal de 2020. As últimas disputas deixaram claro que o conservadorismo segue forte e o sentimento antipetista também se mantém poderoso. Rompendo com o Foro e Maduro, os dirigentes do PSB dão discurso aos candidatos socialistas para entrarem nas disputas sem se constrangerem com um tema pelo qual sequer se interessam. O caso mais evidente é o do ex-governador de São Paulo Márcio França, pré-candidato à Prefeitura da capital paulista, onde foi muito bem votado na disputa pelo governo. Sem precisar carregar o fardo de seu partido participar do Foro de São Paulo e apoiar Maduro, França passa a ter mais chances de derrotar candidaturas adversárias com viés mais conservador e declaradamente antipetistas.

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