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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

PT repete baixo desempenho de 2016 e vê PSDB ocupar espaço no ABC Paulista

Cassia Miranda

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Repetindo a performance ruim que teve em 2016, quando foi varrido do Grande ABC Paulista, resultado em primeiro turno das eleições municipais de 2020 mostra que o PT não conseguiu arrumar a casa nos últimos quatro anos. Enquanto isso, o PSDB parece ter fincado raízes na região.

Luiz Marinho, candidato em São Bernardo do Campo, ao lado de Lula (2018) Foto: Werther Santana/Estadão

Dos sete municípios que compõe o Grande ABC, o Partido dos Trabalhadores vai disputar o segundo turno em dois: Diadema de Mauá. A legenda não conseguiu eleger nenhum postulante já em primeiro turno, diferentemente do que fez o PSDB.

Em entrevista ao BRPolítico na última sexta-feira, 13, a dupla de prefeitos tucanos reeleitos em Santo André e São Bernardo do Campo afirma que mais do que o nome do partido, foi a avaliação positiva das gestões psdebistas que garantiu o bom desempenho repetido neste pleito.

“Acredito que sim (que o PSDB está ocupando um papel que foi do PT), mas no caso e Santo André, a população sempre reconheceu muito mais a figura do prefeito, a gestão propriamente dita do que a questão partidária”, diz Paulo Serra. Ele obteve 76,88% dos votos.

Orlando Morando, que foi reeleito com 67,28% dos votos diz que é “inegável” que PT perdeu espaço na região e cita o desempenho dos prefeitos tucanos na crise da covid-19 como um fator de peso neste pleito.

“Acho que o prefeito que governou bem cada cidade, principalmente neste período de pandemia, as pessoas estão respeitando este papel e identificando como um bom gestor”, aponta.

Sobre o papel de Lula como cabo eleitoral no ABC, os prefeitos seguem a mesma linha e dizem que o petista não tem mais a mesma força de anos atrás.

“Lula perdeu o poder e não tem mais capacidade de influenciar nas eleições como tinha antes. Disso eu não tenho a menor dúvida”, sublinha Morando.

Partido apostou em velhos conhecidos

Para tentar reconstruir o chamado cinturão vermelho que tinha no ABC até 2016, o PT apostou em velhos conhecidos do eleitorado. A estratégia foi bem sucedida apenas em Diadema, onde o partido disputará o segundo turno.

Na cidade, a primeira em que o PT conquistou uma prefeitura, ainda em 1982, José de Fillipi Junior, que já governou o município por três mandatos, conquistou 45,65%  (o equivalente a 92.670 votos) e disputará contra Taka Yamauchi (PSD), que obteve 15,42%.

Tesoureiro do partido nas campanhas de Lula, em 2006, e de Dilma Rousseff, em 2010 José Filipi já foi alvo de busca e apreensão na Operação Lava Jato em 2016, mas nunca chegou a ser formalmente acusado.

Ele avalia que o partido ainda tem muitos líderes na região e nega que haja uma dificuldade em retomar o poder do berço político.

“Essa eleição é diferente para todo mundo por causa da pandemia. Primeiro, passamos por uma pré-campanha mais longa e basicamente virtual. Segundo porque os candidatos que estão tentando reeleição tiveram uma projeção muito maior devido ao protagonismo dos prefeitos no combate à covid-19. Sendo assim, não vejo que o PT esteja com dificuldade para recuperar prefeituras aqui na região do ABCD”, diz.

Chapa petista em Diadema, José Filipe a vice Patty Ferreira. Foto: Kelly Fersan

Em São Bernardo do Campo, cidade onde mora o ex-presidente Lula, o PT também apostou em um veterano: Luiz Marinho, que foi prefeito da cidade de 2009 a 2016. Ele terminou a disputa com 23,34% dos votos, na segunda posição, com quase um terço dos votos conquistados por Morando.

PSOL como alternativa à esquerda?

Assim como em outras cidades brasileiras, o PSOL conseguiu uma votação expressiva na disputa em Santo André. Bruno Daniel, irmão do ex-prefeito petista Celso Daniel, morto em 2002, terminou o pleito em terceiro lugar (7,21%) e se mostra como uma futura liderança da esquerda na cidade. Ele ficou atrás, por menos de 500 votos, da candidata petista Bete Siraque, que conquistou 7,35%.

Ao BRP, antes de o fim da contagem dos votos, Bruno disse que ainda era necessário aguardar a análise do desempenho na disputa. “Mas tudo leva a crer que nos tornaremos uma alternativa viável para aqueles que desejam uma cidade que promova o desenvolvimento inclusivo e socioambiental, a redução das desigualdades e o aprimoramento da democracia representativa eleitoral e da democracia participativa”, disse.

São Caetano

Como se fosse uma ilha isolada, até onde o PT não consegue nadar, São Caetano do Sul segue sendo resistência ao partido. Por lá, o candidato do partido, João Moraes ficou na sexta posição, com 1,81% (o equivalente a 1.709 votos). José Auricchio Júnior (PSDB), que está com a candidatura judicializada, teve 45,28% e vai ao segundo turno com Fabio Palacio (PSD), que teve 32,13%.

Outras cidades do ABC

Nas outras três cidades do ABC Paulista, o pleito ficou assim:

Mauá: Em Mauá, haverá segundo turno entre Atila (PSB) e Marcelo Oliveira (PT). Eles conquistaram 36,48% e 19,84% dos votos, respectivamente.

Ribeirão Pires: Clovis Volpi, do PL, foi eleito em primeiro turno. Ele alcançou 25.905 votos, o equivalente a 45,91%. O PT ficou na terceira posição.

Rio Grande da Serra: Com 8.656 votos, 35,56%, Claudinho da Galera foi eleito ontem. O PT terminou a disputa na quarta colocação,

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