Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

QG gigante pró-Bolsonaro não foi declarado à justiça eleitoral

Equipe BR Político

Um imóvel de 3.500 m2 em plena avenida Antônio Carlos, na região da Pampulha, em Belo Horizonte, serviu de QG fantasma de apoio ao então candidato Jair Bolsonaro nas eleições de 2018 por 51 dias. Segundo a Folha, “nenhum gasto ou cessão do imóvel foram declarados à Justiça Eleitoral nem pela campanha de Bolsonaro nem pela dos aliados, o que contraria a lei eleitoral, segundo três especialistas ouvidos” pela reportagem. A tal avenida é a principal via que liga o centro à zona norte da capital mineira. Hoje, o aluguel do espaço, por exemplo, sai por R$ 95 mil, mas um dos donos do local disse ao jornal que “cedeu” o imóvel a eleitores de Bolsonaro. “Me chegou a solicitação, eu sou empresário, não tenho nada a ver com política, mas por boa vontade, o imóvel estava vazio. Eu cedi porque também sou Bolsonaro, votei no Bolsonaro”, alegou Eduardo Brasil, da concessionária Brasvel.

“A legislação eleitoral entende que esse tipo de doação pode ser economicamente aferível. Então certamente o valor teria que ser vinculado à prestação de contas como uma doação estimável em dinheiro, ainda que tenha sido por mero apoiamento, um comitê não formal, ainda que tenha vindo por parte de populares”, avaliou o advogado Carlos Enrique Caputo Bastos à publicação.

O QG foi utilizado por candidatos do PSL no ano passado, como a deputada Carla Zambelli (PSL-SP). Servia para distribuir adesivos e santinhos aos eleitores. Segundo a advogada eleitoral do presidente, Karina Kufa, o gigante QG não foi declarado porque ninguém da campanha sabia de sua existência, versão que contraria a do empresário para quem Brasil cedeu o imóvel, “sem custos”, Abraão Veloso, que disse à reportagem que o QG 17 era, sim, de conhecimento dos responsáveis pela campanha.