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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Qual será o efeito do caso João Alberto nas urnas?

Vera Magalhães

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A pergunta deste título é a que me acompanha desde que acordei na sexta-feira com as imagens de João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos, sendo espancado e depois imobilizado até a morte por asfixia por seguranças no estacionamento de uma loja do Carrefour em Porto Alegre, com direito a filmagem.

Me detenho sobre ela e sobre precedentes históricos, aqui e no exterior, de fatos que provocam grande comoção e debate nacionais às vésperas de eleições na minha coluna de amanhã no Estadão.

No pleito deste ano, um componente de reação à discriminação racial e de gênero já apareceu no primeiro turno, seja na votação de uma nova geração de líderes de esquerda em cidades importantes como São Paulo, Porto Alegre e Recife, seja na composição mais variada de Câmaras municipais Brasil afora, em capitais como de novo São Paulo e Belo Horizonte, e também em cidades do interior de São Paulo, como Campinas.

A comoção com o assassinato de João Alberto pode ser combustível a incentivar o voto em Guilherme Boulos (PSOL), em São Paulo, ou em Manuela Dávila (PC do B), em Porto Alegre? Sim, como mostram esses resultados de 15 de novembro e os primeiros protestos em reação ao crime do Carrefour, na própria sexta-feira.

Mas também não se deve descartar o peso da opinião de setores da sociedade que insistem em ver casos como esse como “fatos isolados” dissociados de componente racial, e a condenar com mais veemência o que chamam de “vandalismo” de atos como o que quebrou uma loja do Carrefour nos Jardins, na sexta-feira, que o assassinato em si (justamente porque seria, segundo esse raciocínio, uma “fatalidade”, fruto do “despreparo” dos seguranças).

Pode ser, ainda, que o caso perca visibilidade e os protestos minguem, o que faria com que o assassinato não tenha impacto real sobre o voto. O desenrolar dos próximos dias vai permitir atestar com mais certeza se no dia 29 de novembro João Alberto será um motivo de voto ou não. Basta lembrar de outro movimento histórico recente, as jornadas de junho de 2013: o que parecia ser uma série de atos pelo passe livre nos transportes ganhou moto próprio e tomou ruas das cidades de todo o País ao longo de mais de um mês, com efeitos concretos como reduzir tarifas e fazer a presidente Dilma Rousseff lançar um pacote de medidas anticorrupção depois de ver sua popularidade derreter.

 

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