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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Especialistas: Selic a 5% não assegura recuperação econômica

Equipe BR Político

A taxa básica de juros (Selic) caiu de 6% para 5,5% ao ano, menor patamar da série histórica iniciada em 1996, após decisão unânime do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) realizada nesta quarta-feira,18.

A redução, que está de acordo com as projeções do mercado financeiro, foi incentivada pela recuperação lenta da economia e pelos índices de inflação controlados. Mas os efeitos práticos não são consenso entre especialistas.

Fila de pessoas desempregadas, que aguardam para consulta de vagas de trabalho.

Foto: Márcio Fernandes/Estadão

Parte dos economistas já vê sinais de aumento na busca por crédito, enquanto outros avaliam que o baixo patamar da Selic se perde no cenário geral de insegurança para investimentos. O endividamento e o desemprego a 11,8% fazem com que os consumidores deixem de investir, enquanto empresários são afastados pela baixa demanda.

“A economia brasileira está enfrentando o mesmo dilema das economias desenvolvidas, em que as políticas de corte de juros não se refletem em aumento da tomada de crédito. As pessoas acumulam dívidas e incertezas e evitam tomar crédito”, avalia José Júlio Senna, ex-diretor do Banco Central e chefe do Centro de Estudos Monetários do Instituto Brasileiro de Economia da FGV, ao Estadão.

O corte nos juros também tende a ter impacto pequeno no custo de crédito ao consumidor final, na avaliação da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade. Segundo a entidade, o juro médio cobrado de pessoas físicas no comércio passará de 78,3% para 77,5% ao ano. No caso do cartão de crédito, a redução significará queda dos juros de 266,8% para 265,2% ao ano.

Após 16 meses de estabilidade na Selic, este foi o segundo corte no ciclo atual – e o Copom indicou que podem haver novos cortes neste ano. A reunião do comitê ocorre a cada 45 dias para fixar o patamar da taxa de juros em busca do cumprimento da meta de inflação, definida anualmente pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para este ano, a meta é de 4,25% de inflação, podendo oscilar entre 2,75% a 5,75%.

 

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