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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Queiroz e o caminho dos cargos no gabinete de Flávio

Vera Magalhães

Mesmo depois de sumido e supostamente afastado da família Bolsonaro, o ex-assessor parlamentar de Flávio Bolsonaro Fabrício Queiroz continuou fazendo o papel de indicar o caminho das pedras para aliados obterem nomeações no gabinete do ex-chefe em Brasília e em outros gabinetes e comissões ligados à família e ao PSL. Reportagem do jornal O Globo desta quinta-feira transcreve áudio de WhatsApp que mostra que, em junho deste ano, Queiroz dizia a um interlocutor que há “mais de 500 cargos” à disposição na estrutura ligada à família, com salários de até “20 contos”.

“Tem mais de 500 cargos, cara, lá na Câmara e no Senado. Pode indicar para qualquer comissão ou, alguma coisa, sem vincular a eles (família Bolsonaro) em nada”, diz o ex-faz tudo do gabinete de Flávio no áudio, para em seguida emendar: “20 continho aí para gente caía bem para caralho, meu irmão, entendeu?”.

Queiroz ainda ensina que não é preciso vincular o nome do indicado à família. “Não precisa vincular ao nome. Só chegar lá e, pô cara, o gabinete do Flávio faz fila de deputados e senadores, pessoal para conversar com ele, faz fila.”

Mesmo sendo de junho, a gravação mostra que o ex-assessor e Flávio não falaram a verdade quando repetiram inúmeras vezes desde janeiro, quando veio à tona a movimentação financeira atípica de Queiroz no gabinete do filho do presidente na Assembleia do Rio, que não tinham mais nenhum tipo de contato.

Em nota ao jornal, a defesa de Flávio Bolsonaro alega que não há garantia de que se trata de Fabrício Queiroz no áudio e que não é verdade que ele exerça qualquer influência em nomeações no gabinete do senador. Reafirma que Flávio e Queiroz jamais se encontraram desde o ano passado.