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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Ysani Kalapalo: youtuber, de direita e ex-admiradora de Raoni

Equipe BR Político

A indígena Ysani Kalapalo foi mencionada algumas vezes durante o discurso do presidente Jair Bolsonaro na 74ª Assembleia-Geral da ONU. Convidada pelo próprio presidente a integrar a comitiva que viajou a Nova York, a jovem da aldeia Tehuhungu do Alto Xingu, no Mato Grosso, se define como a “indígena do século 21” em suas redes sociais.

Ysani Kalapalo ao lado do presidente Jair Bolsonaro durante viagem à Nova York para a Assembleia-Geral da ONU.

Ysani Kalapalo ao lado do presidente Jair Bolsonaro durante viagem à Nova York para a Assembleia-Geral da ONU. Foto: Reprodução/Instagram

Youtuber, Ysani criou seu canal, que hoje reúne 275 mil inscritos, em 2012. A indígena mescla vídeos em que fala sobre o cotidiano no Xingu com outros de conteúdo mais opinativo, relacionados à política. Nestes, é comum reforçar seu posicionamento à direita e expressar abertamente apoio a Bolsonaro. “Sou conservadora nos costumes e liberal na economia”, comenta em um dos vídeos, logo após se defender de acusações de que foi paga pelo presidente para propalar essas opiniões. “Não sou mais massa de manobra”, acrescenta.

A escolha da jovem para acompanhar a comitiva gerou nota de repúdio assinada por representantes de 16 povos do Xingu. A carta diz que, com isso, o governo brasileiro desrespeita “a autonomia própria das organizações dos povos indígenas de decisão e indicação de seus representantes em eventos nacionais internacionais”.

Ysani, Bolsonaro e o cacique Raoni
No discurso desta terça-feira, 24, o presidente da República criticou a atuação de Raoni Metuktire, líder da etnia caiapó e símbolo da luta indígena. Segundo Bolsonaro, a liderança é usada “como peça de manobra por governos estrangeiros na sua guerra informacional para avançar seus interesses na Amazônia”. O cacique de 89 anos também é tema de vídeo áspero de Ysani – compartilhado por Bolsonaro – por não representar todos os xinguanos.

Cacique Raoni Metuktire, da tribo dos Caiapós.

Cacique Raoni Metuktire, da tribo dos Caiapós. Foto: Regis Duvignau/Reuters

Mas nem sempre a jovem foi contra a conduta do caiapó. Em discurso na Câmara dos Deputados de 2013, publicado em seu próprio canal, ela se diz honrada em estar na mesa com grandes líderes, com destaque especial para o cacique. Ela acrescenta que foi informada que algumas lideranças indígenas seriam apresentadas como candidatas ao Nobel da Paz daquele ano. “Eu, de coração, queria muito que Raoni ganhasse. Tenho muita admiração por ele. É um exemplo de luta aos jovens indígenas de hoje”, diz.