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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Quem foi Joseph Goebbels, político nazista que inspirou o discurso de Alvim

Equipe BR Político

Na noite da quinta-feira, 16, o chefe da pasta da Cultura, o secretário especial Roberto Alvim, divulgou um vídeo para apresentar o Prêmio Nacional das Artes, um projeto da pasta com valor total de mais de R$ 20 milhões, em que copia um trecho do discurso de Joseph Goebbels. O vídeo que resultou na decisão, por parte do presidente Jair Bolsonaro, de demitir o secretário, segundo apurou o Estadão, teve, além da citação do político nazista, trilha sonora embalada pela ópera “Lohengrin”, de Richard Wagner, compositor alemão que teve grande influência na formação ideológica e era celebrado por Hitler.

Alvim usa o discurso de Goebbels para descrever a “arte brasileira da próxima década”. O discurso original foi dado pelo ministro da propaganda nazista em 8 de maio de de 1933, no hotel Kaiserhof, em Berlim, para diretores de teatro. 

Quem foi Goebbels

Doutor em filosofia com aspirações frustradas de trabalhar como escritor, Goebbels entrou para o partido nazista em 1924 e tornou-se ministro da Propaganda nazista com a chegada do grupo ao poder na Alemanha, em 1933. Sua função era, por meio da arte, da música, do teatro, de filmes, livros, estações de rádio, materiais escolares e imprensa, transmitir a mensagem nazista.

Goebbels era um antissemita radical e, como um dos homens mais influentes do governo nazista, contribuiu para a radicalização da política totalitária do regime de Hitler na Alemanha. Ele usou, durante seu período na política alemã, técnicas de manipulação de massas, que formavam o “método Goebbels”, segundo o biógrafo e especialista em Terceiro Reich e Holocausto Peter Longerich, que escreveu o livro “Joseph Goebbels, uma biografia”, com base em diários do político alemão. Nos discursos impetrados para os diferentes públicos, tentava criar percepções e atmosferas favoráveis às medidas que o governo pretendia estabelecer e preparava a população para uma guerra.

Quando a Alemanha perdeu a Segunda Guerra Mundial e Hitler se suicidou, em 1945, Goebbels foi apontado, no testamento do líder nazista, como seu sucessor. Ele, porém, se suicidou junto à sua mulher em 30 de abril daquele ano, depois de matar envenenados os seus seis filhos.

A semelhança entre os discursos

O discurso de Goebbels, conforme consta em sua biografia escrita por Longerich, dizia: “A arte alemã da próxima década será heróica, será ferreamente romântica, será objetiva e livre de sentimentalismo, será nacional com grande páthos e igualmente imperativa e vinculante, ou então não será nada”.

Alvim, por sua vez, fez algumas paráfrases, mas manteve a essência do texto proferido pelo líder nazista, adaptando-o ao Brasil. “A arte brasileira da próxima década será heroica e será nacional. Será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional e será igualmente imperativa, posto que profundamente vinculada às aspirações urgentes de nosso povo, ou então não será nada”, disse o secretário no vídeo.

Assista ao vídeo publicado pela Secretaria Especial da Cultura: