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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Quem são os bolsonaristas atingidos por operação da PF

Equipe BR Político

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Na manhã desta terça-feira, 16, foi deflagrada pela Polícia Federal a Operação Lume, no âmbito do inquérito sobre a organização de atos antidemocráticos aberto no Supremo Tribunal Federal. Entre os 21 alvos da PF, estão os bolsonaristas Allan dos Santos, Luís Felipe Belmonte, Sérgio Lima e o deputado Daniel Silveira (PSL-RJ). Leia mais sobre os alvos da operação de hoje:

Allan dos Santos

O presidente Jair Bolsonaro e o blogueiro Allan dos Santos

O presidente Jair Bolsonaro e o blogueiro Allan dos Santos Foto: Reprodução

Allan dos Santos é sócio do site conservador Terça Livre. Em 27 de maio, o empresário também foi alvo de operação no âmbito do inquérito das fake news. Sobre o inquérito que apura ameaças, ofensas e fake news disseminadas contra membros do STF e seus familiares, o blogueiro afirmou que Alexandre de Moraes deu “o maior ataque que a Suprema Corte já sofreu na história do Brasil.” Em entrevista à CNN, Allan disse que ministro “age como os nazistas.”

Em reportagem da revista IstoÉ em 24 de janeiro, Allan foi acusado de receber cerca R$ 100 mil mensais para defender o presidente Jair Bolsonaro em seu site e mídias sociais. A Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) desmentiu a afirmação da revista em 1º de janeiro.

O empresário também ficou conhecido por mobilizar os ataques contra a repórter Constança Rezende, do Estadão, em março de 2019. Crítico da imprensa tradicional, Allan é próximo ao guru do bolsonarismo, Olavo de Carvalho, e é constantemente citado no Twitter de Bolsonaro. Sobre ação da PF desta terça, o blogueiro cobrou que o presidente “restabeleça a democracia” e “resgate nossa nação”.

Luís Felipe Belmonte

O empresário Luís Felipe Belmonte ao lado do presidente Jair Bolsonaro

O empresário Luís Felipe Belmonte ao lado do presidente Jair Bolsonaro Foto: Reprodução

O empresário e advogado é conhecido no meio bolsonarista por ser o vice-presidente do partido Aliança Pelo Brasil, que o presidente tenta criar. Belmonte se mostra cauteloso ao falar sobre o presidente e sobre pautas mais polêmicas como atos pró-intervenção militar. “Isso só alimenta os adversários. Achei inadequado esse movimento. Não concordo com isso (intervenção)”, disse o empresário ao Estadão. Na mesma entrevista, Belmonte também se disse contra ataques da militância bolsonarista a Rodrigo Maia.

O advogado já foi filiado ao PSDB e já realizou doações a partidos de esquerda, como o PCdoB. O Estadão revelou que o empresário auxiliou na organização do ato anti-democrático ocorrido em 3 de maio, em Brasília. Belmonte alegou não ter financiado a manifestação e que sua presença foi como cidadão, não como articulador político do Aliança.

Sérgio Lima

O publicitário do Aliança Pelo Brasil, Sérgio Lima

O publicitário do Aliança Pelo Brasil, Sérgio Lima Foto: Coluna Sônia Racy

O publicitário Sérgio Lima foi mais um membro do Aliança Pelo Brasil envolvido na operação da PF. Sérgio é o marqueteiro do partido e foi um nome cogitado pelos bolsonaristas para a corrida pela Prefeitura de São Paulo. “Serginho”, como é conhecido entre os governistas, esteve presente na comitiva presencial nos Estados Unidos, em março deste ano.

A atividade política de Sérgio começou recentemente, em 2018, quando ele impulsionou as redes sociais do general Partenelli (PSL-SP), atualmente deputado federal, de Castelo Branco (PSL), deputado estadual por São Paulo, e general Paulo Chagas (PRP), candidato a governador do DF que foi derrotado. Sérgio é de família militar e chegou até o Aliança pela advogada Karina Kufa, hoje tesoureira do partido.

Daniel Silveira

Deputado federal Daniel Silveira

Deputado federal Daniel Silveira Foto: Câmara dos Deputados

Deputado federal pelo PSL do Rio, Daniel Silveira é o único político com foro junto ao Supremo que é investigado pela operação de hoje. O deputado também foi alvo de busca no inquérito das fake news e é acusado de financiar os atos anti-democráticos ocorridos em Brasília, em março.

Daniel ficou conhecido durante a campanha de 2018 por, junto ao deputado estadual Rodrigo Amorim (PSL), destruir uma placa de rua em homenagem à vereadora Marielle Franco, assassinada brutalmente em março de 2018. Em seu Twitter, o parlamentar já defendeu diversas vezes o fechamento do Supremo Tribunal Federal. “Vocês me peguem na rua em um dia muito ruim e eu descarregue minha arma em cima de um filho da puta comunista que tentar me agredir”, disse Daniel em vídeo publicado durante as manifestações contra e pró-governo ocorridas em Copacabana.

Otávio Fakhoury

Empresário Otávio Fakhoury e o presidente Jair Bolsonaro

Empresário Otávio Fakhoury e o presidente Jair Bolsonaro Foto: Reprodução

Otávio Fakhoury é outro nome do Aliança pelo Brasil que foi alvo da operação da PF. O investidor é um dos fundadores do partido e uma das figuras centrais do bolsonarismo. Fakhoury também está sendo investigado pelo inquérito das fake news.

O bolsonarista é apoiador do ministro da Educação, Abraham Weintraub, e já declarou que irá repensar seu apoio ao governo caso Weintraub caia. Fakhoury também já admitiu financiar manifestações pró-governo, ajudando no pagamento de carros de som para os atos. Ele também contribuiu financeiramente para a campanha da deputada federal Bia Kicis (PSL-DF) e financia o site conservador Crítica Nacional.

 

Outros nomes

Youtubers visitaram o presidente Jair Bolsonaro no Palácio da Alvorada, em março

Youtubers visitaram o presidente Jair Bolsonaro no Palácio da Alvorada, em março Foto: Marcos Corrêa/Presidência da República

Alguns “youtubers de direita”, como se denominam, foram alvos da ação. Entre eles está Adilson Dini, do canal Ravox Brasil. Fernando Lisboa, autor de um vlog, também recebeu mandado.

O blogueiro Alberto Silva do Canal Giro de Notícias, conhecido como Beto Louco, é acusado de operar o Pensa Brasil, uma rede de fake news. Em 2017, o jornal Folha de S. Paulo mostrou que o Beto operava uma teia de sites de notícias falsas de diversas ideologias.

Emerson Teixeira, conhecido nas redes como “Professor Opressor”, também foi alvo da PF. Ele chamou os profissionais da imprensa de “abutres”, em frente ao Palácio da Alvorada. A blogueira e ex-assessora do gabinete do deputado estadual Coronel Nishikawa (PSL-SP), Camila Abdo, também recebeu mandado.