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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Rachadinhas incluem repasses a ex-advogado de Flávio

Equipe BR Político

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Na campanha eleitoral de 2018, duas assessoras do atual senador Flávio Bolsonaro (Republicanos) repassaram um total de R$ 27 mil, após seus salários e auxílio-alimentação caírem em suas contas bancárias, ao ex-advogado do filho do presidente da República, Luis Gustavo Botto Maia, revela o UOL nesta terça, 29. Foram 22 repasses de Alessandra Cristina Oliveira (15) e Valdenice Meliga (7) feitos entre junho e dezembro daquele ano, conforme documentos obtidos pelo portal da quebra de sigilo bancário das funcionárias. Em junho, Botto Maia foi apontado pelo Ministério Público do Rio como elo que unia diversas atividades da organização criminosa supostamente liderada pelo parlamentar.

A expectativa é de que Flávio e o ex-assessor Fabrício Queiroz sejam denunciados hoje pelo Ministério Público do Rio de Janeiro pela prática de “rachadinha” durante seu mandato como deputado estadual na Alerj. A acusação seria dos crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A acusação deveria ter sido enviada ontem, eletronicamente, ao Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), mas houve um problema na transmissão nas 280 páginas da denúncia. O documento deverá ser entregue pessoalmente ao TJ-RJ.

O advogado, conforme o MP, também teria servido de intermediário do grupo para contatar o miliciano Adriano Magalhães da Costa Nóbrega, foragido depois de ser acusado pelo MP de liderar a milícia Escritório do Crime – que foi morto em fevereiro em confronto com a Polícia na Bahia.

O advogado é figura importante do grupo que gravita em torno de Flávio. Ele foi um dos responsáveis pela prestação de contas do senador na Justiça Eleitoral, onde foi o autor do pedido de registro da candidatura. Botto Maia era funcionário da Alerj desde julho de 2019. Em abril, o advogado foi nomeado para o gabinete do deputado Renato Zaca (eleito pelo PSL e agora no SD), como assessor parlamentar, mas foi exonerado em junho depois de seus endereços serem alvos de mandados de busca e apreensão.

Este espaço está aberto para manifestações das partes.