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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Reabertura da capital opõe Doria e prefeitos aliados

Vera Magalhães

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A inclusão da Capital no plano de reabertura gradual da economia paulista já a partir da semana que vem, enquanto a Grande São Paulo e a Baixada Santista permanecem fechadas opôs prefeitos aliados ao governador João Doria Jr. Os consórcios intermunicipais do Grande ABC e da Baixada pretendem ir à Justiça contra a discrepância no tratamento de municípios com as mesmas características demográficas e econômicas e com índices similares de contágio pela covid-19 e ocupação de leitos hospitalares.

O governador João Doria em coletiva

O governador João Doria em coletiva Foto: Reprodução/Youtube

Os prefeitos de Santo André, Paulo Serra (PSDB), e de São Bernardo, Orlando Morando (PSDB), foram os primeiros a vocalizar o descontentamento com o plano de reabertura, ainda na quarta-feira, 27. Em vídeo distribuído pelas redes sociais, Serra manifestou “indignação” em relação às medidas anunciadas pelo governo de São Paulo. “Incluir a capital e deixar de fora Santo André e o Grande ABC é um grande absurdo. E é um absurdo porque ignorou critérios científicos”, afirmou.

Ele diz que os indicadores da cidade são muito melhores que os da capital e cobra “autonomia” na tomada de decisões para a retomada da volta de atividades econômicas e diz que irá às “últimas consequências” para assegurar isso.

Morando deu uma série de entrevista cobrando coerência e isonomia por parte da gestão Doria no tratamento dos municípios. Afirmou que a cidade seguiu protocolos científicos desde o início do combate à pandemia e não pode ser penalizada na retomada.

O prefeito de Guarulhos, Gustavo Henrique Costa, que é do PSD, também fez coro às críticas.

A reação surpreendeu o Palácio dos Bandeirantes, que tomou a decisão de anunciar as medidas sob forte pressão econômica, política e da opinião pública, colocando em xeque o discurso desde o início da pandemia de Doria de que se pautaria por critérios científicos para tomar a decisão.

A inclusão da cidade de São Paulo na reabertura imediata foi uma medida tomada para não prejudicar a reeleição do tucano Bruno Covas (PSDB), que já é considerada difícil pela multiplicidade de adversários em todos os campos, pelos índices de aprovação da gestão, modestos, e pelos problemas de saúde enfrentados por ele.