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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Reações negativas ao favorito à PGR

Vera Magalhães

O aparecimento de Antonio Carlos Martins Soares Simões no topo da lista dos cotados para assumir o cargo de procurador-geral da República pegou subprocuadores e procuradores regionais – os ocupantes dos cargos da alta hierarquia do Ministério Público Federal – de surpresa, conforme relatei na nossa newsletter BR Político Analisa na noite desta segunda-feira. Simões fez carreira no Rio de Janeiro, voando abaixo do radar dos grupos mais influentes no MPF e sem atuação que lhe conferisse também destaque externo, perante a opinião pública. Foram as relações construídas que construiu no Rio, a base eleitoral de Jair Bolsonaro e de seu clã, que levaram à súbita ascensão de seu nome ao favoritismo.

Conversei nos últimos dias com diversos procuradores, de vários matizes. Eles veem risco de retrocessos e de ingerência política na instituição caso se confirme a escolha. “Eu nunca tinha ouvido falar dele. Nem sabia que ele existia. E a maioria ou quase totalidade dos colegas também. Uma pessoa de personalidade duvidosa que está se aproveitando de uma oportunidade tosca”, me disse um procurador. Um outro foi na mesma linha: “Desconhecido por quase todos aqui no MPF. Fez carreira na Procuradoria do Rio de Janeiro, atuação pálida, sem nenhum destaque. Teve as encrencas que já foram divulgadas (processos criminais e esse mandado de segurança ridículo para não devolver o que lhe foi indevidamente pago). Retrocesso, com força”. Dadas as reações, colhidas em setores diversos da Procuradoria, mostra que a reação interna caso se confirme a nomeação de Simões não será nada positiva.

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