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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Regina fala em ‘pacificação’, mas Bolsonaro insinua que pode vetar indicações

Vera Magalhães

Visivelmente nervosa e emocionada, Regina Duarte fez um discurso de posse como secretária Nacional de Cultura pregando a “pacificação” e o “diálogo” entre representantes do setor cultural, Estados, municípios, Congresso e órgãos de controle.

Chamou Bolsonaro de amigo, disse que eles têm uma “leveza” na relação de ambos, que seria cercada de “momentitos de felicidade”. Elogiou a primeira-dama, Michelle, a quem classificou como “linda, suave, doce e iluminada”. Lembrou que é filha de um militar e uma professora e bateu continência ao dizer que está pronta para a “missão”.

O presidente Jair Bolsonaro e a secretária especial de Cultura, Regina Duarte durante a cerimônia de posse

O presidente Jair Bolsonaro e a secretária especial de Cultura, Regina Duarte durante a cerimônia de posse Foto: Adriano Machado/Reuters

“Meu propósito aqui é a pacificação e o diálogo permanente”, disse Regina, para quem a “cultura forte consolida a identidade de uma Nação”.

Em seguida, Bolsonaro deu um certo banho de água fria no entusiasmo da nova auxiliar, num discurso cauteloso, que pareceu influenciado pela reação negativa à atriz nas redes sociais bolsolavistas. Disse que ela tem porteira fechada na secretaria, mas que, como fez em praticamente todos os ministérios, ele pode vetar indicações.

Um dos grandes motivos de protestos, que levaram a hashtag #ForaRegina aos Trending Topics no dia da posse, foi a demissão de pelo menos seis ocupantes de cargos na estrutura da secretaria que seriam ligados a Olavo de Carvalho. Os detratores da atriz a acusam de nomear pessoas com ligações com o PSOL e o PT.

“Você terá liberdade para escolher seu time. Mas eu exerço o poder de veto de alguns nomes”, disse Bolsonaro, afirmando que faz isso até para “proteger” os ministros e “blindar” os órgãos públicos, e não para “perseguir” ninguém.