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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Relator da Furna da Onça nega que adiamento da operação foi para beneficiar Bolsonaro

Equipe BR Político

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O relator no Tribunal Regional Federal da 2ª Região da Operação Furna da Onça, que investigou o esquema de desvio de salários na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) envolvendo Fabrício Queiroz, desembargador Abel Gomes, afirmou que a ação da Polícia Federal “não foi adiada, mas sim deflagrada no momento que se concluiu mais oportuno, conforme entendimento conjunto entre o Ministério Público Federal, a Polícia Federal e o Judiciário”, em nota no domingo, 17.

O senador Flávio Bolsonaro e seu pai, o presidente Jair Bolsonaro

O senador Flávio Bolsonaro e seu pai, o presidente Jair Bolsonaro Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

A declaração vem na esteira das acusações do empresário Paulo Marinho (PSDB-RJ) de que de que a Polícia Federal do Rio teria esperado para deflagrar a operação depois do segundo turno da eleição presidencial de 2018 para beneficiar Jair Bolsonaro, além de que o senador Flávio Bolsonaro teria sido avisado sobre ela antes de sua ocorrência e recebido informações privilegiadas. Segundo Gomes, as autoridades entenderam que realizar a operação após o segundo turno “seria o correto e consentâneo” com a lei.

O desembargador não negou, entretanto, na nota, que as autoridades teriam aguardado o término do segundo turno para deflagrar a Furna da Onça. “O fundamento foi que uma operação dirigida a ocupantes de cargos eletivos, deputados em vias de reeleição inclusive, como foi a Furna da Onça, não deveria ser deflagrada em período eleitoral, visto que poderia suscitar a ideia de uso político de uma situação que era exclusivamente jurídico-criminal, com o objetivo de esvaziar candidatos ou até mesmo partidos políticos, quaisquer que fossem, já que os sete deputados alvos da Furna da Onça eram de diferentes partidos”, afirmou na nota.

Abel Gomes argumentou também que a legislação eleitoral impede a realização de prisão, salvo em flagrante, nos dias próximos dos pleitos. “Essa diretriz acertada e legal das autoridades federais não teve por escopo beneficiar quem quer que seja”, defendeu.

Na nota, o desembargador comentou o suposto vazamento a Flávio Bolsonaro denunciado por Marinho. “Deve ser apurado com urgência, com a devida instauração dos procedimentos cabíveis, dada a sua gravidade, sendo fundamental a identificação desse agente público.” Já no domingo, a Procuradoria-Geral da República pediu que a Polícia Federal colha depoimento de Marinho sobre a denúncia na investigação que corre sobre tentativa de interferência política do presidente Jair Bolsonaro na PF.