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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Relatório de ONGs cita bancos na exploração de petróleo no rio Amazonas

Equipe BR Político

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Relatório das ONGs ambientalistas Stand.earth e Amazon Watch divulgado nesta quarta, 12, aponta que bancos da Suíça, França, Alemanha e Holanda financiam projetos de exploração de petróleo na região das Cabeceiras Sagradas da Amazônia, no Equador, um dos berços do rio Amazonas. O documento cita o ING, da Bélgica; o Credit Suisse, o UBS e o BNP Paribas, da Suíça; o Natixis, da França; o Deutsche Bank, da Alemanha; e o Rabobank, da Holanda. Segundo o documento, desde 2009, essas e outras instituições financiaram um total de US$ 10 bilhões para a produção de aproximadamente 155 milhões de barris de petróleo no Equador. As exportações atendem a mercados internacionais, sendo que mais de 40% delas vão para refinarias na Califórnia, nos EUA.

Quase todos os bancos citados no relatório têm compromissos de sustentabilidade ou compromissos de defesa dos direitos indígenas. Alguns são signatários dos Princípios do Equador e/ou dos Princípios para Bancos Responsáveis do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. Outros têm políticas específicas para o Ártico, incluindo a nova iniciativa de sustentabilidade do Credit Suisse projetada para “melhorar a consideração da biodiversidade”.

“O financiamento desses bancos perpetua os abusos dos Direitos Humanos, agrava a crise climática e amarra ainda mais a economia do Equador aos ciclos de expansão e quebra da extração de recursos naturais”, afirma Tyson Miller, diretor do Programa Florestal da Stand.earth.

“Mesmo durante a pandemia da covid-19, as empresas petrolíferas continuam a buscar a expansão, colocando os povos indígenas em risco ainda maior. Estes bancos não podem manter suas promessas sobre o clima e os Direitos Humanos enquanto continuam a financiar o comércio de petróleo amazônico”, afirma Moira Birss, diretora de Clima e Finanças da Amazon Watch.

Oleodutos

A divulgação do relatório ocorre uma semana depois de uma coalizão de federações indígenas do Equador ter lançado uma campanha global e ações legais pedindo uma moratória para a atual produção de petróleo bruto. Em 7 de abril, um deslizamento de terra rompeu três oleodutos ao longo do rio Coca, derramando pelo menos 15.800 barris de petróleo bruto em uma região que já tinha sido afetada por despejos de resíduos tóxicos pela Chevron-Texaco Oil Company.