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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Resposta ‘anticiência’ de Bolsonaro assusta governadores, diz Guardian

Equipe BR Político

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Vários governadores do País relataram espanto ao jornal The Guardian com a postura do presidente Jair Bolsonaro no combate à pandemia do coronavírus, reforçando críticas já feitas à política adotada pelo Palácio do Planalto. “Estou estupefato. Você não pode governar um país assim”, disse Ronaldo Caiado (DEM-GO). Paulo Câmara (PSB), de Pernambuco, lamentou que “agora o governo central está mais interessado em questões políticas e eleitorais do que com a saúde do povo brasileiro”. Flávio Dino (PCdoB-MA) citou o mimetismo de Bolsonaro com o presidente Donald Trump. “No fundo, é uma espécie de negação. Ele acha que isso é uma invenção da mídia e uma conspiração chinesa que faz parte de sua batalha pela hegemonia, com os Estados Unidos. Ele deve ter ouvido isso de Trump”, disse o maranhense, acrescentando que Bolsonaro no fundo acredita que o coronavírus é uma “invenção comunista”.

Governadores reforçaram críticas à postura do presidente Jair Bolsonaro ao jornal The Guardian

Governadores reforçaram críticas à postura do presidente Jair Bolsonaro ao jornal The Guardian Foto: Dida Sampaio/Estadão

Eduardo Leite (PSDB), do Rio Grande do Sul, falou em sabotagem. “Ele (Bolsonaro) está é sabotando os planos que os governadores estão colocando em prática”, disse. O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), disse ter medo. “Tenho medo. Não podia acreditar nas palavras que o presidente estava dizendo (pronunciamento em rede nacional em defesa do fim do isolamento social e retomada das aulas). O ministro da Saúde e a Organização Mundial da Saúde guiam nossas respostas (à pandemia). Estamos tentando convencer a população da necessidade agora por maior confinamento para parar o vírus. E então o presidente surge com um conselho completamente diferente e acusa outros líderes de exterminar empregos e a economia. Inacreditável”, diz ele, em referência à batalha que o presidente trava contra os governadores Wilson Witzel (RJ) e João Doria (SP).

Na mesma linha de Caiado, Carlos Moisés (PSL), de Santa Catarina, recém-rompido com o bolsonarismo, disse à publicação que ficou “embasbacado” com o pronunciamento, embora tenha afrouxado o isolamento social em seu Estado desde então.