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por Marcelo de Moraes

Resposta atrasada à vacina pode ser fatal para popularidade de Bolsonaro

Gustavo Zucchi

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Na “guerra das vacinas” entre João Doria e Jair Bolsonaro, a divulgação do plano de vacinação do Ministério da Saúde deveria ser preocupante para o atual presidente da República, cuja popularidade mostrou patinar com o resultado das eleições municipais. Enquanto o tucano armazena doses da Coronavac, em desenvolvimento pelo Instituto Butantan junto da farmacêutica chinesa Sinovac, para iniciar a imunização da população tão logo seja aprovada pela Anvisa, o governo federal prevê o início da vacinação apenas em março. Isso meses depois do provável início da imunização das populações da Europa e Estados Unidos.

Isso significaria que boa parte dos brasileiros assistirem de longe o resto do mundo retomar a normalidade enquanto sofrerão com segundas e terceiras ondas da covid-19. Isso ao mesmo tempo em que presenciam o presidente minimizar a necessidade de vacinação quase que diariamente (ele próprio já declarou que não se vacinará).

Jair Bolsonaro prega diariamente contra a necessidade de vacinação. Foto: Alan Santos/PR

A cereja do bolo é se João Doria, que hoje antagoniza com Bolsonaro e é possível candidato em 2022, conseguir oferecer uma solução melhor que o governo federal. A situação de Bolsonaro piora ainda quando seu governo se movimenta a passos de tartaruga (quando se movimenta) para criar uma rede que permita aplicação de vacinas como a da Pfizer e da Moderna, que necessitam de baixíssimas temperaturas de armazenamento.

Em um 2021 com grave crise econômica, desemprego, sem auxílio-emergencial, com Joe Biden pressionando por uma política ambiental responsável, uma resposta atrasada e recheada de anticiência para o fim do coronavírus poderá ser fatal para a popularidade de Jair Bolsonaro.