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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Maia: ‘Sou a favor da privatização da Eletrobrás’

Marcelo de Moraes

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Um dia depois de o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), afirmar que seria muito difícil para o governo aprovar no Senado a venda da Eletrobrás, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) vai na direção oposta. Em entrevista ao BR Político, Maia afirmou que é “a favor” da privatização da empresa. A posição de Maia serve como um alento para o governo conseguir negociar a estatal, considerada uma das joias da coroa no processo de desestatização. A seguir, os principais trechos da entrevista:

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), em evento em São Paulo

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Foto: Felipe Rau/Estadão

BRP – O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, disse considerar muito difícil que a privatização da Eletrobrás seja aprovada no Congresso. O senhor é a favor ou contra a venda da empresa?

Rodrigo Maia – “Sou a favor. Se você olhar direitinho os dados, a questão é que a capacidade de investimento necessária para a Eletrobrás continuar sendo uma empresa forte na geração e distribuição, essa capacidade o Estado brasileiro não tem mais. Somado a isto, a estrutura salarial, sem nenhum demérito aos servidores, igual à administração direta, foi construída ao longo dos anos de uma forma aonde o custo médio das empresas do sistema Eletrobrás em relação ao setor privado é mais alto”.

BRP – O senhor acha que isso reduz a capacidade de competir da empresa?

Maia – Ela se torna uma empresa que perde competitividade. Então, para que tenha valor, é importante que o setor privado possa fazer os investimentos. Por isso, sou a favor da privatização”.

BRP – Essa discussão das privatizações entra no debate sobre reforma administrativa que o senhor tem defendido?

Maia – “Acho que a política, ao longo dos próximos meses, vai entrar nessa agenda mais completa de reforma administrativa. Aonde a gente começa a ver que o Estado acaba ficando caro e atendendo a essas estruturas. Que são legítimas, nas quais os trabalhadores conquistaram os direitos deles, mas, para o futuro, não é correto com a sociedade. A atividade meio, a máquina do Estado, acaba consumindo e absorvendo quase todo o orçamento público. E, no caso das estatais, gerando a perda de capacidade de geração de caixa necessário para investimento com estrutura própria, já que não há espaço para o Estado capitalizar mais essas empresas”.