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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Rui Costa: ‘Bolsonaro quis jogar população contra os governadores’

Marcelo de Moraes

Reunidos com o ministro da Economia, Paulo Guedes, os governadores reclamaram da atitude de Jair Bolsonaro de colocar no colo deles a responsabilidade pelo preço da gasolina e do diesel não baixar nas bombas. Em várias declarações públicas, o presidente culpou o ICMS cobrado nos Estados como grande vilão da história e desafiou os governadores a zerá-lo. Em troca, zeraria também os impostos federais sobre os combustíveis (Cide, PIS e Cofins). Como nem governo federal, nem Estados podem se dar ao luxo de abrir mão dessas receitas, ficou o dito pelo não dito. Mas sobrou a irritação dos governados pelo desgaste causado.

“É fato que o que ele fez foi política. A declaração dele é política e teve o objetivo claro de jogar a população contra os governadores”, afirmou o governador da Bahia, Rui Costa, na reunião com Guedes.

Depois, numa sequência de postagens no seu Twitter, Costa explicou porque foi duro na reclamação contra o presidente.

“Você sabe como é formado o preço final da gasolina no Brasil? O presidente não sabe, mas o ministro da Economia sabe e eu fiz questão de reforçar a importância de tratar o assunto de forma técnica, sem jogar o povo contra os governadores”, disse.

“Não são os governadores que fazem o preço final da gasolina, como disse hoje em reunião com o ministro, em Brasília. Há 10 anos, o ICMS era o mesmo e a gasolina custava 2 reais. A declaração do presidente foi política e com o objetivo de jogar a população contra os governadores”, reclamou o governador.

“A atual política da Petrobras é uma opção do Governo Federal de diminuir o refino no Brasil e comprar derivados do petróleo do exterior, dolarizando o preço do combustível. Há 2 anos, na Bahia, eu retirei o ICMS da água, por exemplo. Adoraria ver o Governo Federal ajudando, retirando tributação também da água para o povo pobre do semiárido. Proponho que a gente faça um debate de pacto federativo com responsabilidade, respeito e seriedade”, acrescentou.