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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Russomanno transforma Bolsonaro em alvo em debate de SP

Vera Magalhães

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A estratégia de Celso Russomanno de se aliar a indiciados no inquérito das fake news do STF para atacar o candidato do PSOL, Guilherme Boulos, fez com que o presidente Jair Bolsonaro fosse levado ao centro do debate da TV Cultura, o último antes do primeiro turno em São Paulo.

Até aqui, os debates estavam focados em questões municipais ou em críticas ao prefeito Bruno Covas (PSDB), líder nas pesquisas de intenções de votos, e na sua aliança com o governador João Doria Jr., que abandonou a prefeitura após dois anos de mandato para disputar o governo do Estado. Bolsonaro não havia sido personagem central nos encontros da TV Bandeirantes, do Estadão e da Folha.

Russomanno repetiu a acusação de que Boulos usou dinheiro do fundo partidário para empresas que seriam fantasmas. Essa denúncia havia sido feita por ele no debate da Folha, na véspera. Era oriunda de um vídeo no canal de Oswaldo Eustáquio, que foi preso pelo STF no âmbito do inquérito das fake news.

Boulos partiu para cima do adversário, chamando-o de “sem vergonha”. Acusou Russomanno de querer “trazer o gabinete do ódio para São Paulo”. Numa dobradinha com Jilmar Tatto, fez críticas a Bolsonaro e até sua ação no combate à pandemia entrou no debate.

O petista se solidarizou com Boulos e criticou Bolsonaro, num indício de que os dois podem se aliar no caso de um eventual segundo turno.

O candidato do Republicanos também foi alvo do postulante do Patriota, Artur do Val, que o acusou de mentir e ouviu, de volta, que ele é quem mente e seria recordista de faltas na Assembleia de São Paulo — o que Do Val refutou mostrando seu boletim com 97% de presença na Casa.

Com o fogo cruzado deslocado para o embate entre Russomanno e Boulos, Covas foi mais poupado que em confrontos anteriores, e apenas Marcio França manteve seu foco no prefeito.

Candidato do Republicanos para Prefeitura de SP, Celso Russomanno. Foto: Alex Silva/Estadão