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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

‘Sabotagem’ é carta na manga para evitar autocrítica?

Gustavo Zucchi

Em pouco mais de um ano, pode-se dizer que falta autocrítica ao governo de Jair Bolsonaro. Sempre que se vê diante de um problema grave, o presidente, seus ministros e a legião de militantes nas redes sociais apelam para a desculpa de “sabotagem”. Agora, a carta foi sacada na confusão que virou o Enem do ano passado, cuja correção errada afetou milhares de alunos e que atrapalhou diretamente o Sisu. A mesma possibilidade foi levantada na internet após Roberto Alvim ter divulgado um vídeo recheado de referências nazistas. A ala olavista do bolsonarismo não hesitou em falar que o então secretário deveria ter sido “sabotado” por alguém de dentro da secretaria, que incluiu partes de um discurso do ministro de Adolf Hitler, Joseph Gobbels, no pronunciamento de Alvim.

A carta também foi sacada nos graves incêndios que ocorreram na Amazônia. O presidente Jair Bolsonaro, sem nenhuma evidência, disse que ONGs ambientalistas poderiam estar por trás do fogo na floresta. Membros das organizações chegaram a ser presos pela polícia civil e foram soltos posteriormente pela Justiça. O óleo que atingiu as praias do Nordeste, por sua vez, foram classificados pelo presidente como “ação criminosa” para prejudicar o seu governo. Além da desculpa, todas as ações tem em comum que o governo acabou criticado pela falta de atitude na reação aos problemas.