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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Salles defende Sabará e volta a atacar Amoêdo

Alexandra Martins

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Expulso do Novo em maio, o ministro Ricardo Salles, desafeto de João Amoêdo, saiu em defesa do candidato suspenso liminarmente do partido à Prefeitura de São Paulo, Filipe Sabará, no final da noite de ontem. Ele respondeu à notícia da suspensão divulgada pelo Estadão assim: “Não adianta ir para Pasárgada se lá você não for amigo do Rei”. Só que parece que o titular do Meio Ambiente apagou seu comentário…

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, participa de reunião da Comissão de Meio Ambiente do Senado.

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, participa de reunião da Comissão de Meio Ambiente do Senado. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Sabará se disse “perseguido” por Amoêdo, ex-presidente do partido, e “por uma ala esquerdista minoritária”. Com a decisão anunciada ontem, a candidatura de Sabará fica suspensa até a Comissão de Ética julgar o caso, que corre em sigilo, em definitivo.

O ministro, no episódio de sua saída do Novo, afirmou na época que preferia o presidente Jair Bolsonaro ao empresário, que, segundo Salles, “fica bravo com todo mundo que brilha mais que ele”.

Pasárgada dá nome a título de um poema de Manuel Bandeira, Vou-me embora pra Pasárgada:

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconsequente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d’água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcaloide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.

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