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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Salles recua da tentativa de driblar meta de redução do desmatamento

Equipe BR Político

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O Ministério da Economia informou na noite de terça-feira, 4, que o Ministério do Meio Ambiente recuou da tentativa de alterar a meta de reduzir em 90% o desmatamento e incêndios ilegais no Brasil, previsto no Plano Plurianual (PPA) do governo até 2023. A tentativa de driblar a meta por meio programa recém-criado, o Floresta+ Amazônia, foi revelada pelo Estadão.

Ontem, em entrevista à imprensa em Brasília, Salles disse que o governo mantém o objetivo de zerar o desmatamento ilegal na Amazônia até 2030, previsto na Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC), que é um documento brasileiro com os compromissos do Acordo de Paris, mas não comentou se havia retirado a proposta de conservação dos 390 mil hectares, revelada pelo Estadão. De acordo com o jornal, em troca da redução do meta de 90%, a pasta se comprometeria a conservar 390 mil hectares de floresta nativa na Amazônia, área que corresponde a 0,1% da Amazônia Legal.

Para Alice Thuault, diretora adjunta do Instituto Centro de Vida (ICV), o problema do programa Floresta+ é que ainda falta muita definição sobre como ele será executado. “Ele não é um programa que chega e constrói em cima do que já foi feito em termos de pagamentos de serviços ambientais, de créditos de carbono. É um programa que se propõe a fazer serviços ambientais, mas a gente ainda não tem informações suficientes para entender”, disse. A redução do desmatamento e incêndios previsto no PPA contempla todos os biomas brasileiros, não só a Amazônia como no plano Floresta+ apresentado pela pasta.

Na entrevista, o ministro afirmou que a mudança no Plano Plurianual teria como objetivo traçar uma estratégia “ano a ano” para alcançar este compromisso.  “Num momento em que a política ambiental brasileira está na mira tanto da comunidade internacional, como dos possíveis investidores, compradores das commodities brasileiras, acho que não é um sinal muito bom se falar de revisão de metas ou de se negar a manter ambição. E em paralelo, não tendo uma estratégia muito clara”, afirma.