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por Marcelo de Moraes

Salvador: PT se agarra a ‘sensações’; Reis com boas chances no 1° turno

Mario Vitor Rodrigues

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“A esquerda decepciona”. O comentário vem de uma pessoa habituada às disputas políticas na Bahia. “Falta energia. A impressão é que a aposta na pulverização para forçar o segundo turno deu errado”, continuou a fonte, para em seguida fazer um relato cada vez mais comum nesses tempos em que o lulismo parece ter perdido o viço: “Chegam a brigar entre si”.

Os candidatos em Salvador Bruno Reis e Major Denice. Foto: Divulgação

Pesquisas recentes dão razão ao comentário.

Há uma semana, 20, a pesquisa realizada pelo Instituto Paraná indicou que Bruno Reis (DEM) liderava com folgados 52,1%, enquanto a candidata Major Denice (PT), apoiada pelo governador Rui Costa, figurou com minguados 10,6%, tecnicamente empatada com o Pastor Sargento Isidório (Avante), com 9,3%.

É pouco, mas dois dias depois, na última quinta-feira, 22, o Instituto Potencial Pesquisa apresentou um quadro ainda mais preocupante para a esquerda, sobremaneira para o Partido dos Trabalhadores: empate triplo entre Denice, 8%, Isidório, 6% e Olívia Santana (PCdoB), com 5%. Ainda segundo o Potencial, Reis aparecia com 43% das intenções de voto.

Não é difícil entender o favoritismo de Reis. Ex-secretário de Infraestrutura e Obras Públicas na gestão do prefeito ACM Neto (DEM), que, segundo última pesquisa Ibope, conta com aprovação de 85%, estranho seria se Reis não liderasse a corrida.

Entretanto isso não justifica a debacle petista. Afinal, o governador Rui Costa (PT) também conta com boa aprovação: 64%.

“Nas carreatas as reações das pessoas são ótimas, a gente tem a sensação de que estamos crescendo”, me conta um integrante da campanha petista, logo em seguida indo ao encontro de ambas as suspeitas levantadas por quem analisou sem paixão: “Acho que bateremos 20%, resta saber se o resto vai fazer a sua parte para ter segundo turno… O PSOL daqui não dá. PSOL bom é o do Guilherme Boulos”, concluiu, queixando-se da postura do candidato Hilton Coelho (PSOL) no último debate.

Tudo indica que a esquerda e sobremaneira o PT terão de rever os seus conceitos na Bahia. Se a pulverização das forças progressistas foi proposital ou não é o de menos. Faltando duas semanas para o pleito, tudo indica que deu errado.