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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

João Santana: ‘Hoje, sou um ícone dessa relação promíscua’

Marcelo de Moraes

Durante o seu depoimento na CPI do BNDES, o publicitário João Santana reconheceu seus erros ao receber pagamentos em caixa dois nas campanhas políticas nas quais trabalhou. Mas lamentou que tenha se tornado uma espécie de “ícone” dessas relações irregulares. Santana disse que receber pagamentos dessa maneira era um hábito normal, mas ele acabou sendo o grande punido por isso.

“Hoje, eu sou um ícone dessa relação, vou usar o termo, promíscua. Mas não fui o único. Pelo contrário. Mas fui o único punido e com uma pena pesada. Porque mesmo com nosso acordo (de colaboração com a Justiça), o resultado do acordo eu considero bem duro. Tive uma perda financeira enorme, com uma perda de privação de liberdade, e até hoje eu tenho liberdade vigiada. Seis anos fora do mercado, proibição de trabalhar. Eu estou proibido de trabalhar em marketing. Mas esse peso não tira de mim a percepção do seguinte. Foi uma relação viciada, foi uma relação perversa, em certo sentido, mas na conjuntura, culturalmente, era a grande norma. Era tão constante, e eu falo em 99,9%, que parecia a coisa mais normal do mundo. E você vai se acomodando por esse tipo de prática. Estabeleceu-se um direito perverso de que isso era normal, todo mundo fazia. Mas não quero tirar a carga de erro. Mas não posso aceitar, como ouvi até durante o julgamento, que havia um fator desequilibrante nas nossas campanhas porque a gente recebia caixa dois. Todos os outros recebiam. Todos os outros marqueteiros recebiam igualmente”, afirmou Santana. /Marcelo de Moraes

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