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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Secretário do DF em campanha dupla: pela PF e pela vaga de Moro

Vera Magalhães

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, já estava em campanha ativa para emplacar seu secretário de Segurança Pública, Anderson Torres, no comando da Polícia Federal. Com a provável saída de Sérgio Moro do governo, no entanto, cresce o lobby para que Torres, que é delegado da PF, assuma não a instituição, mas a própria pasta.

O secretário de Segurança Pública do DF, Anderson Gustavo Torres, ao lado do presidente Jair Bolsonaro. Foto: Carolina Antunes/PR

Essa campanha não é nova: em janeiro, quando Bolsonaro ameaçou desmembrar o ministério e tirar a segurança pública de Moro, o secretário de Ibaneis já estava trabalhando ativamente pelo posto. Inclusive articulou com colegas de outros Estados uma espécie de manifesto a favor da separação das áreas, sob alegação de melhor funcionamento da área.

Além de contar com o trabalho entusiasmado do governador a seu favor, Torres conta com outros cabos eleitorais de prestígio: é amigo de Eduardo Bolsonaro e do ex-deputado Alberto Fraga, um dos políticos com maior ascendência sobre o presidente.

Na PF, a nomeação de Torres para o comando da instituição ou mesmo para a pasta é vista como a comprovação da intenção de Bolsonaro de politizar o órgão. O inquérito que apura uma rede de fake news ligada ao bolsonarismo para destruir reputações de adversários políticos e inclusive de ministros do STF está bastante avançado no sentido de identificar financiadores do esquema, e se aproxima do filho do presidente, Carlos Bolsonaro.