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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Segundo inquérito sobre facada conclui que não houve mandante

Equipe BR Político

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Algumas semanas depois de o presidente Jair Bolsonaro colocar em dúvida novamente a autoria da facada contra ele em 2018, um relatório parcial do segundo inquérito que apura o fato na Polícia Federal concluiu que o ataque não teve mandantes. A investigação constatou que Adélio Bispo agiu sozinho, por iniciativa própria e sem ajuda de terceiros, tendo sido responsável pelo tanto pelo planejamento da ação criminosa, quanto pela execução. O inquérito foi coordenado pelo delegado Rodrigo Morais e entregue nesta quarta-feira, 13, à Justiça Federal em Juiz de Fora, onde ocorreu o ataque durante a campanha presidencial.

O presidente Jair Bolsonaro no ato de campanha em Juiz de Fora (MG), onde levou a facada

O presidente Jair Bolsonaro no ato de campanha em Juiz de Fora (MG), onde levou a facada Foto: Fábio Motta/Estadão

“O que a investigação comprovou foi que o perpetrador, de modo inédito, atentou contra a vida de um então candidato à Presidência da República, com o claro propósito de tirar-lhe a vida”, pontua o delegado neste segundo inquérito. Segundo as investigações, não foram comprovadas a participação de agremiações partidárias, facções criminosas, grupos terroristas ou mesmo paramilitares em qualquer das fases do crime.

Em seu discurso sobre a demissão do ex-ministro Sérgio Moro, Bolsonaro voltou a levantar a questão para justificar seu interesse no comando da PF. O presidente inferiu que a Polícia Federal não havia dado atenção suficiente à investigação do seu caso, em oposição ao assassinato de Marielle Franco, cuja investigação continua sem resolução, à qual Bolsonaro considerou ter sido objeto de mais esforços pelas autoridades. No primeiro inquérito sobre a facada concluído ainda em 2018, a PF não identificou mandantes do crime, e chegou à mesma conclusão do segundo.

A primeira investigação já havia considerado que Adélio Bispo agiu sozinho e que a motivação teria sido “indubitavelmente política”. Ele foi indiciado por prática de atentado pessoal por inconformismo político, crime previsto na Lei de Segurança Nacional.

A segunda investigou minuciosamente o material apreendido com Adélio Bispo, incluindo um computador portátil, aparelhos celulares e documentos. Vídeos e teorias sobre suposta ajuda recebida por Adélio para realizar o atentado também foram periciadas por técnicos, mas nenhuma das diligências feitas na investigação apontaram informações relevantes às teorias. Ao todo, foram analisados 2 terabytes de arquivos de imagens, 350 horas de vídeo, 600 documentos e 700 gigabytes de volume de dados de mídia e 1200 fotos. 23 laudos periciais foram elaborados, 102 pessoas entrevistadas em campo e 89 testemunhas foram ouvidas, além de terem sido realizadas diligências de busca e apreensão, quebras de sigilos fiscais, bancários e telefônicos. A PF analisou também mais de 40 mil e-mails recebidos e enviados em contas registradas por Adélio.