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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Seis baixas em coalizão ambiental

Equipe BR Político

Seis entidades e empresas do agronegócio deixaram a coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura. A coalizão reúne mais de 200 membros do setor produtivo, da academia e da sociedade civil, e tem como objetivo encontrar soluções conjuntas para o agronegócio e para a conservação ambiental. Deixaram a coalizão: a Sociedade Rural Brasileira (SRB), a Associação Brasileira Indústrias Óleos Vegetais (Abiove), a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (CeCafé), a Associação Brasileira de Criadores de Zebu (ABCZ) e a Copersucar. De acordo com o Valor, a saída foi motivada por pressão do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, decorrente do fato de não ter sido convidado para as agendas da coalizão durante a COP-25, em Madri.

Algumas das entidades que deixaram a coalizão também teriam ficado desconfortáveis com o posicionamento de outros membros, mais críticos ao governo. A Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), por exemplo, é membro da coalizão e afirmou que o setor poderia sofrer retaliações por conta do aumento do desmatamento e da retórica agressiva do governo contra o terceiro setor, ambientalistas, e líderes europeus. O “racha” na coalizão pode ser interpretado como uma divisão entre a parte mais progressista e alinhada com agendas ambientais do agronegócio, e a parte mais conservadora do setor.

Ao Estadão, o ministro não confirmou nem negou a ligação com a saída do grupo. “Eu comentei a incoerência da coalizão se dizer representante do agro e ao mesmo tempo esforçar-se para falar mal do agronegócio brasileiro no exterior”, disse.