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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Seis meses de ‘fio desencapado’

Equipe BR Político

O sociólogo Sérgio Abranches, autor do livro Presidencialismo de Coalizão (Cia. das Letras), avalia que ao escolher ser um presidente minoritário, governando com o poder da caneta e dispensando o Congresso, posto que ele traduz o Legislativo como exemplo de clientelismo, Jair Bolsonaro descarta um cálculo relevante para a governabilidade dentro do modelo político brasileiro: abre brecha para os parlamentares atuarem à revelia do presidente, sem que isso configure, tal como tem sido dito vez ou outra, um parlamentarismo branco (“a não ser em um perigoso processo de dissolução institucional”).

“No contexto de relações crispadas, como agora, a maior parte do ativismo legislativo tende a ser retaliatório. É o que tem ocorrido. O protagonismo do Legislativo manifesta-se mais como crise do que como alternativa funcional. Pode permitir a aprovação de uma ou outra medida relevante, sob a pressão da crise socioeconômica, mas não é o suficiente para sustentar a governança do país”, escreve o pesquisador, neste domingo, 30, na Folha. Ele conclui com a preocupação de que “há forças no ecossistema político-econômico que podem empurrar o país no rumo de uma recessão democrática. Pelo princípio da precaução, esse perigo não deve ser desprezado por ter baixa probabilidade de ocorrência”.

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