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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Sem Bolsonaro, luta do PSL pelas prefeituras vira tarefa hercúlea

Gustavo Zucchi

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O PSL, partido que mais cresceu nas últimas eleições impulsionado pela popularidade de Jair Bolsonaro, chega em 2020 com um enorme desafio pela frente. Depois de conquistar a segunda maior bancada na Câmara dos Deputados, eleger quatro senadores e ter o presidente da República, agora a sigla tenta manter a relevância nas eleições municipais. Sem Bolsonaro como cabo eleitoral, o partido inicia a campanha sem ter favoritos nas principais capitais do País.

Joice Hasselmann. Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Das 26 capitais estaduais, o PSL deverá ter, no mínimo, cerca de 14 candidatos. Este número ainda pode crescer, já que em muitas cidades ainda ocorrem negociações. E a maioria dos nomes escolhidos derrapam nas pesquisas de intenção de voto. A única que, por enquanto, aparece entre os favoritos é Vanda Monteiro, pré-candidata à prefeitura de Palmas. Os outros, que tiveram seus nomes já citados em levantamentos, atingem, no máximo 5% das intenções de voto.

É o caso, por exemplo, de Joice Hasselmann. A deputada e ex-líder do governo no Congresso irá disputar a prefeitura de São Paulo. Com 1.064.047 de votos conquistados em 2018, ela agora aparece com cerca de 1% das intenções de voto, segundo as últimas pesquisas. Bem atrás do atual prefeito e candidato à reeleição, Bruno Covas (PSDB).

“Joice ainda aparece distante porque a campanha ainda não começou, boa parte ainda a reconhece como deputada, não como candidata”, justificou o presidente estadual do PSL em São Paulo, deputado Junior Bozzella.

A situação preocupante, entretanto, não se resume a Joice. Em outras capitais em que nomes fortes do partido se lançarão ao Paço Municipal, o cenário é o mesmo. Em Curitiba, por exemplo, o deputado estadual, Delegado Francischini, aparece distante de Rafael Greca (DEM), candidato à reeleição na capital paranaense. Francischini, segundo as últimas pesquisas, fica abaixo dos 2% das intenções de voto.

Em outras cidades, ante a clara dificuldade em angariar votos, o PSL até mesmo desistiu de lançar um nome próprio na disputa. O deputado Julian Lemos, que concorreria em João Pessoa, retirou sua candidatura e a legenda deverá apoiar Raoni Mendes, candidato pelo DEM e vereador mais votado na cidade em 2012.

Em Rio Branco, capital do Acre, o PSL desistiu de lançar o empresário Fernando Zamora na disputa. O agora ex-candidato saiu atirando após a decisão. “Veio aqui um deputado e falou que o importante é ter um deputado federal, os nossos argumentos não foram levados a sério, não importa o projeto se é de esquerda, ideologia. Para mim um balcão de negócios”, disse em vídeo divulgado em suas redes sociais.

A situação mais otimista é no Rio. O partido deverá lançar o deputado Luiz Lima como candidato na capital fluminense com apoio do PSD e do PTB. A articulação foi feita por Hugo Leal, que concorreria à prefeitura pelo PSD. A vice deverá ser a ex-deputada e quase ministra do Trabalho do governo de Michel Temer, Cristiane Brasil. Em pesquisas recentes, tanto Leal quanto Cristiane apareceram com pouco mais de 1% das intenções de voto.

Estratégia

Bozzella, assim como outros caciques da sigla, minimiza a saída de Bolsonaro do partido como definitiva para o resultado nas eleições. Mas a tendência é que como estratégia o PSL tente se vender como a sigla de direita em várias disputas municipais. Em especial se aproximando da Operação Lava Jato.

“O PSL vai para as eleições municipais com as mesmas pautas da direita em 2018, que foram abandonadas pelo presidente, que compartilha hoje das mesmas pautas do PT”, afirmou Bozzella. “Manteremos nossa coerência e vamos trabalhar forte, pois sabemos que estas pautas continuam importantes para a população, especialmente no estado de SP. Particularmente, acho que figuras como Sérgio Moro seriam hoje os que mais espelham as pautas do PSL”

Na Câmara dos Deputados, os parlamentares da legenda também deverão focar neste segundo semestre em alguns temas mais “ideológicos”. Felipe Francischini (PSL-PR), que comandou a Comissão de Constituição e Justiça no último ano, listou projetos como a flexibilização do porte e posse de armas de fogo e a regularização do “homeschooling” como os temas prioritários da bancada.