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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Sem Guedes, economistas criam rede de monitoramento

Vera Magalhães

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Alguns dos principais nomes da macroeconomia brasileira, de diferentes correntes de pensamento econômico, criaram nos últimos dias uma rede de troca de informações, modelos e sugestões sobre como o Brasil deveria lidar com a crise econômica cujas dimensões ainda não conseguem mensurar.

O grupo tem conversado remotamente, de viva voz e por troca de mensagens, trocado estudos, artigos e modelos. Eles têm contato com o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, que tem se aconselhado com alguns expoentes de governos anteriores sobre medidas mais delicadas que o BC já tomou e ainda estuda no manejo da crise.

Existe temor nesse grupo quanto aos efeitos de médio e longo prazo caso o BC decida baixar ainda mais a taxa básica de juros neste momento.

Também não existe consenso quanto ao afrouxamento do teto de gastos e a respeito de qual deveria ser o vetor do investimento do Estado neste momento, sobretudo no colchão social que precisará ser feito.

Um fato chama a atenção desses economistas: Paulo Guedes não está buscando ouvir ninguém para fora da própria equipe. Anos de distanciamento implodiram as pontes entre Guedes e economistas que fizeram o Plano Real, ou que atuam em instituições acadêmicas do Brasil, ou que escrevem nos principais veículos de imprensa ou apoiaram outros candidatos nos últimos anos.