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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

‘Não temos privilégios’, dizem servidores com altos salários

Equipe BR Político

Não caiu bem no funcionalismo público a pesquisa divulgada pelo Banco Mundial e o Ministério da Economia nesta quarta-feira, 9. O estudo revela que os servidores federais ganham quase o dobro que seus equivalentes no setor privado e que os salários são turbinados com gratificações que chegam a 40%.

Estudo do Banco Mundial aponta que o gasto do setor público brasileiro com folha de salários é alto para os padrões internacionais

O BRP conversou com associações que representam os líderes da lista — todas criticaram. No topo, estão as carreiras jurídicas, com salário inicial de R$ 24,1 mil. A Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) não quis se manifestar. Na quarta colocação, com salário inicial de R$17,6 mil, a Associação e Sindicato dos Diplomatas Brasileiros (ADB) também preferiu não comentar. 

Carreiras policiais ocupam o sétimo lugar, com R$ 11,1 mil. Edvandir Paiva, presidente da Associação dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), criticou a comparação entre iniciativa privada e funcionalismo público. “Esses salários não têm planos médicos, nem FGTS ou qualquer outra vantagem”, afirmou. Segundo Paiva, um pagamento inicial menor que R$ 5 mil, sugerido pelo estudo como solução aos crescentes gastos com folha de pagamento, é insuficiente para atrair efetivo qualificado. 

Para o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), os professores “não recebem grande salário” — eles aparecem na oitava posição, com remuneração inicial de R$ 10,3 mil. A secretária-geral, Eblin Farage, diz que “se compararmos com países da Europa e com os Estados Unidos, é ridículo o que recebemos. Também não temos privilégios ou auxílios”.

Após também lembrar os privilégios da iniciativa privada, o presidente da Federação Nacional dos Médicos (Fenam), Gutemberg Fialho, avaliou o valor de R$ 8,5 mil como “baixo para um profissional com a qualificação proporcional”. Médicos ligados a universidades estão na décima posição da lista dos maiores salários dos servidores.

O secretário Especial de Desburocratização, Paulo Uebel, participa de mesa-redonda sobre relatório do Banco Mundial.

Paulo Uebel. Foto: José Cruz/Agência Brasil

Enxugar os gastos com funcionalismo é parte da reforma administrativa prevista pelo Ministério da Economia. Paulo Uebel, secretário especial de Desburocratização, afirmou que a proposta deve ficar pronta até o fim de outubro e que as mudanças só valerão para novos empregados.

Apesar de não mencionada pelo secretário, o fim da estabilidade dos funcionários públicos é considerada pelo governo. O presidente do Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas de Estado (Fonacate), Rudinei Marques, disse que não se opõe à ideia, desde que tenha “critérios claros”.“Pode haver uma avaliação de desempenho e, no limite, demitir se por alguma razão aquele servidor não está produzindo, pois quem está pagando é a sociedade”, afirmou ao Broadcast/Estadão. (Mílibi Arruda e Felipe Goldenberg, especial para o BRP)