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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Silêncio de Bolsonaro sobre 50 mil mortes

Vera Magalhães

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O Brasil bateu neste sábado a trágica marca de mais de 50 mil pessoas mortas em razão do novo coronavírus, mas o presidente Jair Bolsonaro não se manifestou a respeito, nem mesmo em suas redes sociais sempre tão ativas, a respeito das perdas.

A última postagem de Bolsonaro no momento da publicação desta nota é uma sequência em que elenca ações do governo, muitas delas destinadas a investigar adversários, como o governador de Pernambuco, Paulo Câmara.

O fio também elenca ações em outras áreas, mas ignora completamente a pandemia da covid-19. Termina com uma indicação de que para informações as pessoas devem sempre seguir as redes do governo federal.

Na sexta-feira, ao se referir de forma lateral à pandemia, Bolsonaro insistiu na tese mentirosa de que o STF delegou a Estados e municípios total responsabilidade por manejar a crise sanitária. Na verdade, a decisão unânime do Supremo dá aos governadores e prefeitos a prerrogativa, que Bolsonaro tentou suprimir ilegalmente por Medida Provisória, de disciplinar o funcionamento de comércio, escolas, empresas e definir as regras de quarentena e distanciamento social.

O governo não determinou que a bandeira seja hasteada a meio mastro, nem decretou luto oficial pelos óbitos.

O perfil do Ministério da Saúde não registrou a marca no Twitter e não fez nenhuma postagem de luto ou condolências. O da Secretaria de Comunicação, que passou a ser usado como linha auxiliar da defesa política de Bolsonaro, também calou sobre as mortes.

Os três filhos parlamentares de Bolsonaro também ignoraram a tragédia e não se solidarizaram com as famílias dos que morreram na pandemia, em apenas três meses.

 

Nessa postagem em que de novo tenta se esquivar de responsabilidade, o presidente não chega a lamentar as mortes ou a dizer que seu governo está empenhado em conter a curva de contágio do novo coronavírus.