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por Marcelo de Moraes

‘Silêncio de Renan deixa pulga atrás da orelha’, alerta Nelson Trad

Alexandra Martins

O senador Nelson Trad (PSD-MS) afirmou nesta quinta, 7, que o “silêncio ensurdecedor” do senador Renan Calheiros (MDB-AL) no processo de escolha do próximo presidente do Senado tem deixado parlamentares com a “pulga atrás da orelha”.

Trad afirmou ao BRP que ontem alertou o atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP), que apoia o senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG) para o posto, sobre o que esperar do MDB, partido com maior bancada no Senado. “Eu falei com ele: Não se pode subestimar o MDB, não brinca porque o MDB é expert nas articulações. Disse para não subestimar os dois Eduardos (Braga, líder do partido no Senado, e Gomes, líder do Governo no Congresso) e tampouco o Fernando Bezerra (líder do governo no Senado), que na minha avaliação agradaria mais ao presidente Jair Bolsonaro”, disse.

Senador Nelson Trad (PSD-MS). Foto: Sheila Leal

Para Trad, o personagem central da disputa dentro do MDB, e da própria eleição, é Renan. “Ninguém pode prescindir do Renan, pela história que ele tem, pela força dele. O silêncio ensurdecedor do Renan está deixando a todos com a pulga atrás da orelha. É mais do que claro que ele vai interferir em algum momento publicamente”, reforçou.

Na raia paralela da sigla está Simone Tebet (MDB-MS), que até o momento não tem apoio dos demais senadores do partido. “A Simone é um excelente quadro, é do meu Estado, reconheço a capacidade dela, só que o crivo para ela sair como candidata estruturada e forte passa pelo MDB, e lá dentro ela não consegue apoio. Se ela sair candidata, já sai enfraquecida. Foi o que ocorreu com o PSD, meu partido, que tentou lançar nome, mas não se uniu em torno de ninguém. É melhor lançar um nome com apoio do que sair rachado”, resumiu Trad.

Relações Exteriores

Enquanto presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Trad avaliou como negativa a ameaça do presidente da República de que o Brasil pode viver situação parecida à dos Estados Unidos, onde extremistas pró-Trump invadiram ontem o Capitólio, caso o voto impresso não seja restaurado nas eleições de 2022. “Claro que não pegou bem. Foi uma reação que já coloca a hipótese de eventual derrota na próxima eleição, que é um caminho errado para quem quer continuar administrando o País”.

Trad fez questão de lembrar da última eleição presidencial no Uruguai, no ano passado, quando o senador do Partido Nacional, de centro-direita, Luis Lacalle Pou, venceu o candidato da Frente Ampla do ex-presidente José Mujica. “Lá, nós tínhamos uma linha de esquerda que acabou sendo derrotada pelo Lacalle Pou por uma margem de menos de 5% dos votos. Quando eu saí nas ruas depois do resultado, parecia um feriado de Finados. Não tinha manifestação nem a favor nem contra. Isso é digno de ser colocado como exemplo de democracia”, disse.

Para o senador, o ato de insuflar a população quando se é derrotado, como o de Trump, “ocasiona consequências terríveis, não só para quem está na linha de frente, mas para o sistema democrático“.