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por Marcelo de Moraes

Sob pressão, governadora de SC diz ser contra o nazismo

Equipe BR Político

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A governadora em exercício de Santa Catarina, Daniela Reinehr (sem partido), que tomou posse na terça-feira, 27, depois do afastamento de Carlos Moisés (PSL), não passou nem uma semana no cargo antes de protagonizar mais uma polêmica, desta vez, relativa ao seu posicionamento sobre o nazismo. Depois de evitar responder se concordava com ideias negacionistas sobre o holocausto judeu e ser cobrada por entidades judaicas, Reinehr emitiu uma nota nesta quinta-feira, 29, afirmando que é contrária ao nazismo.

A governadora em exercício de Santa Catarina, Daniela Reinehr

A governadora em exercício de Santa Catarina, Daniela Reinehr Foto: Maurício Vieira/Secom SC

 O caso iniciou durante a coletiva de imprensa de sua posse. Questionada se concordava ou discordava de seu pai, um professor de história que escreveu textos em que relativiza o nazismo durante a Segunda Guerra Mundial, Reinehr afirmou que “não poderia responder”. 

“Eu realmente não posso responder, ser julgada ou condenada por aquele ou esse pensamento”, disse. “Eu respeito, volto a dizer, eu respeito as pessoas, independente do seu pensamento, eu respeito os direitos individuais, e qualquer regime que vá contra o que eu acredite, contra esses elementos que eu disse, eu repudio. Existe uma relação e uma convicção que move a mim e a todos os senhores que se chama família. E me cabe, como filha, manter a relação familiar em harmonia, independente das diferenças de pensamento.”

Depois do episódio, a governadora foi cobrada por um posicionamento firme sobre o tema. Na quarta, 28, a Confederação Israelita do Brasil (Conib) e a Associação Israelita Catarinense (AIC) pediram  uma manifestação veemente de Reinehr.

Nesta quinta, ela finalmente emitiu nota sobre o caso: “Sou contrária ao nazismo, assim como sou contrária a qualquer regime, sistema, conduta ou posicionamento que vá contra os direitos individuais, garantias de segurança ou contra a vida das pessoas, e sinceramente, pensei ter deixado isso claro quando fui questionada”, disse.

Reinehr não passou ilesa do conflito que desaguou no processo de impeachment de Moisés e quase perdeu o cargo. Junto ao governador afastado, ela também foi acusada de improbidade no mesmo caso, mas foi absolvida pelo voto de desempate do presidente do Tribunal de Justiça, o desembargador Ricardo Roesler. 

Ao assumir, ela prometeu alinhamento com o presidente Jair Bolsonaro. A sua defesa no processo de impeachment foi inclusive feito pela advogada Ana Cristina Blasi, que passou a atuar no caso por indicação da advogada de Bolsonaro Karina Kufa. Reinehr é tida como representante do Aliança pelo Brasil, partido que o presidente tenta criar, em Santa Catarina.

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