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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Sobre zumbis e baratas

Marcelo de Moraes

Prestes a lançar seu novo livro, chamado “Arguing with zombies” (Discutindo com zumbis), o economista norte-americano Paul Krugman aproveitou uma discussão sobre se os cortes de impostos feitos por Donald Trump estão se pagando ou não para falar de seus conceitos sobre ideias de zumbis e de baratas. A definição feita pelo vencedor do Prêmio Nobel de Economia de 2008 poderia ser perfeitamente adaptada para algumas propostas discutidas no Brasil.

Krugman, que usou o Twitter para agradecer a Deus por não estar participando do Fórum Econômico Mundial, em Davos, afirma que “uma idéia de zumbi é uma visão que deveria ter morrido há muito tempo diante de evidências negativas, mas que continua se arrastando, comendo o cérebro das pessoas”. E explica sua definição sobre uma ideia de barata afirmando que ela “é um pouco diferente”. “É uma idéia ruim da qual você às vezes consegue se livrar – por um tempo. Mas isso continua voltando”.

Em postagem nas suas redes sociais, Krugman diz que “a grande barata que você costuma encontrar na política tributária é a alegação de que os cortes de impostos não podem ter aumentado o déficit porque a receita aumentou nos últimos dois anos”. Krugman fala disso para afirmar que o corte de impostos feito por Trump realmente causou perdas.

No Brasil, uma proposta que poderia se encaixar no caso da ideia de barata seria a proposta de recriação da CPMF, ainda que disfarçada com outros nomes. Mais do que rechaçada pelo Congresso e rejeitada pela opinião pública, volta e meia, a ideia retorna. A recriação do tributo foi defendida várias vezes pelo ministro da Economia, Paulo Guedes. E, no Congresso, líderes do Centrão desconfiam que a proposta ainda possa ser novamente sugerida pelo ministro dentro da discussão da reforma tributária.