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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

‘Somos piores que a covid-19’, diz líder indígena

Equipe BR Político

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O líder indígena Aílton Krenak, conhecido internacionalmente por seu movimento de defesa dos povos indígenas, faz uma análise do significado da pandemia do novo coronavírus no jornal O Globo do ponto de vista etnográfico e ambiental. “O melão-de-são-caetano continua crescendo aqui do lado de casa. A vida segue. Só o que parou foi o mundo artificial dos humanos. Não fazemos falta na biodiversidade. Pelo contrário. Desde pequenos aprendemos que há listas de espécies em extinção. Enquanto essas listas aumentam, os humanos proliferam, destruindo florestas, rios e animais. Somos piores que a covid-19”, disse ele à publicação. Para ele, a doença vai marcar uma mudança global de comportamento. “Não podemos achar que estamos vivendo tudo isso para depois voltar à normalidade. Voltar ao normal seria como se converter ao negacionismo e aceitar que a Terra é plana. Que devemos seguir nos devorando”, acrescenta.

Por outro lado, a pandemia vai despertar a consciência em favor de movimentos coletivos. “Um tranco para a gente olhar o que realmente importa. Como alguém que muda de vida após sofrer um trauma. Espero que as pessoas percebam que as subjetividades que vivem num ambiente de amplo afeto estão mais equipadas para sobreviver ao que estamos passando. Quem vive só para si mesmo vai ter que encarar tudo sozinho, está ferrado.”