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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

‘Sou cidadã antifascista’, diz major candidata do PT em Salvador

Alexandra Martins

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A Major Denice Santiago, de 49 anos, está com a missão de ser a primeira mulher do PT a governar Salvador (BA). Afilhada do governador Rui Costa (PT) e do senador Jaques Wagner (PT), a militar licenciada só terá seu nome oficializado como candidata do partido no dia 16 de setembro, data limite para definição das candidaturas municipais no País.

A escolha do vice passa por nomes do Podemos, como o deputado federal Bacelar, do PSD, PDT e PSB, ainda que a deputada federal Lídice da Mata (PSB) possa concorrer ao mesmo cargo. “A deputada Lídice da Mata é uma política muito, muito, muito importante para nós aqui. Foi a primeira mulher e única que foi prefeita de nossa cidade. Nós já conversamos muito, dialogamos e estamos tentando fazer uma convergência, mas sempre respeitando o que o partido dela decidir, assim como queremos que respeitem o que o meu decidir”, destaca ela ao BRP.

A major Denice Santiago, candidata do PT à prefeitura de Salvador. Foto: Yuri Silva

Denice tem os atributos mais buscados na atualidade pela política democrática: é mulher, negra, da periferia, militar e, segundo ela,  antifascista, além de neófita. Seu perfil difere daqueles negociados pelo partido para a disputa em Belo Horizonte (Nilmário Miranda), Rio de Janeiro (Benedita da Silva) e São Paulo (Jilmar Tatto), por exemplo. “Eu sou uma cidadã antifascista, antirracista e pró-igualdade. São os partidos progressistas, de esquerda, que melhor coadunam com o que a cidadã Denice quer para minha cidade”, define-se. Segundo a pré-candidata, o ex-presidente Lula defendeu sua candidatura “com um voto maravilhoso”, exaltando o fato de Denice ser mulher e militar. “Esse perfil cabe, sim, dentro do PT, a de uma mulher trabalhadora da segurança pública”, reforçou.

As recentes pesquisas de intenção de voto a colocam lá em baixo, com 4,1%. Em primeiro, de acordo com levantamento do instituto Paraná Pesquisa, está Bruno Reis (DEM), o hoje vice e pré-candidato do prefeito ACM Neto (DEM), com 34,9%. O deputado federal Sargento Isidório (Avante) aparece em segundo lugar, com 15,5% da preferência eleitoral. Nenhum dos dois é tratado com hostilidade por Denice.

“Nós estaremos numa disputa leal, franca, direta, de propostas políticas para melhorar a cidade. Quando você me pergunta como eu vou combater o candidato do DEM, respondo que é através de propostas significativas para a vida das pessoas da cidade. As pesquisas estão apontando que 60% dos eleitores de Salvador sequer conhecem os pré-candidatos nesta pandemia”, diz.

Já Isidório “é um querido”. “Por ser uma neófita nesse lugar, mas também por uma questão de vida, eu não faço aquela política de me digladiar, não me coloco nesse lugar. Esse método mais agressivo não vai dialogar, vai me fazer polarizar com os adversários enquanto quem vai perder é a população”, justifica.

Após insistência sobre a posição do DEM na disputa, ela aponta falhas da administração municipal dos últimos oito anos, mas sem fulanizar, citando a educação, saúde, habitação e mobilidade como gargalos. “As desigualdades sociais que nós temos aqui são muito bem demarcadas. As crianças aqui não vão para creches. As pessoas não dormem quando chove em Salvador. A cidade não tem acessibilidade. Vivemos numa cidade formada geograficamente por morros e ladeiras e as pessoas não conseguem se locomover dentro da própria cidade. Meu povo está abandonado nesse processo aí de oito anos”, afirma.

Co-fundadora da Ronda Maria da Penha, patrulha da Polícia Militar responsável pelo combate à violência doméstica contra mulheres, Denice não vai levantar a bandeira da segurança pública na campanha porque não é de competência do cargo municipal, mas afirma que fará um diálogo constante, caso eleita, com a corporação na tentativa de combater o racismo e a letalidade da PM numa capital quase totalmente negra. “Esse foi um dos meus principais motivos para eu ser candidata. Eu vou poder dialogar com as forcas policiais da cidade, com comandantes regionais, mostrar à PM a importância de se fazer um policiamento técnico. Jamais vou querer convencer alguém que a corporação que eu servi, acho que de qualquer parte do País, não é discriminatória na questão racial, não é misógina, por exemplo”, relativiza.

Graduada em Psicologia pela Faculdade da Cidade do Salvador e em Segurança Pública pela Academia de Polícia pela UNEB (Universidade do Estado da Bahia), Denice é mestre em Desenvolvimento e Gestão Social pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e doutoranda no Núcleo de Estudos Interdisciplinares Sobre a Mulher, também na UFBA.

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