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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

SP teme relaxamento da quarentena

Vera Magalhães

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Um giro por São Paulo nesta segunda-feira mostrava um cenário diferente da semana anterior: mais carros nas ruas, mais pessoas circulando, bares abertos, reuniões de pequenos grupos em lojas de conveniência de postos de gasolina. Em resumo: é visível que, no início da quarta semana de quarentena para a contenção da covid-19, a adesão da população à recomendação de manter o isolamento está reduzindo.

No início da quarta semana de quarentena adesão da população ao isolamento está reduzindo em São Paulo

No início da quarta semana de quarentena adesão da população ao isolamento está reduzindo em São Paulo Foto: Alex Silva/Estadão

A percepção coincide com balanço da prefeitura da capital e do governo do Estado, que temem que o relaxamento, agora, acabe por fazer com que rapidamente a contaminação pelo novo coronavírus fuja do controle num momento em que ainda não se tem testes em profusão e ainda faltam equipamentos de proteção individual, os chamados EPIs.

O secretário de Saúde do município, Edson Aparecido, disse ao BR Político que essa mudança vem ocorrendo nos últimos três dias. “Estamos começando a sentir pressão na rede de saúde”, afirmou. “Como o país ainda não tem testes, o isolamento confina o portador ao máximo com a família e protege a comunidade”, recomendou.

A prefeitura trabalha para instalar novos leitos de UTI e, assim, dar conta da demanda quando ela subir, como é o esperado que aconteça nessas próximas duas semanas.

No governo, a percepção é que a pregação do presidente Jair Bolsonaro contra o confinamento acaba fazendo com que a adesão voluntária a quarentena diminua. Caso haja reflexo na explosão de casos, o governo pode ter de apertar as restrições com o objetivo de evitar o colapso no sistema de saúde.