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por Marcelo de Moraes

Stuenkel: ‘Bolsonaristas e trumpistas vislumbram uma democracia de torcedores’

Cassia Miranda

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As cenas protagonizadas na quarta-feira, 6, no Capitólio, um dos maiores símbolos da política americana, “são um péssimo sinal para as democracias do mundo, inclusive do Brasil”. Essa é a avaliação do pesquisador Oliver Stuenkel, coordenador da pós-graduação em relações internacionais da FGV-SP. Em conversa com o BRP, ele diz que não conseguiu acompanhar os eventos ocorridos ontem em Washington sem imaginar o que pode acontecer no Brasil no ano que vem.

Oliver Stuenkel, criador do termo Aliança do Avestruz para se referir ao grupo de países que nega os perigos da covid-19

Oliver Stuenkel.Foto: Daniel Teixeira/Estadão

“Se me perguntassem, eu diria que é uma prévia do que vai acontecer no Brasil em 2022. Tem aí estratégias muito parecidas, com uma retórica questionando a legitimidade do pleito. Hoje mesmo o presidente Jair Bolsonaro deixou claro que a expectativa dele é de que haverá problemas muito parecidos aos dos Estados Unidos, aponta.”

Ao traçar semelhanças e diferenças entre os países, Stuenkel vê um paralelo muito claro entre os apoiadores do presidente americano, Donald Trump, e do brasileiro na maneira como ambos os grupos enxergam a democracia.

“Tanto bolsonaristas como trumpistas não vislumbram uma democracia de cidadãos, mas uma democracia de torcedores. Uma democracia em que a necessidade de se manter no poder justifica meios possivelmente não democráticos, em que os outros são vistos como traidores da pátria”, diz.

Segundo o especialista em relações internacionais, a invasão do Congresso americano por apoiadores extremistas do presidente Trump durante a sessão de certificação de Joe Biden como próximo presidente do país não foi uma surpresa.

“Se você olha atentamente ao processo de comunicação do presidente, ele estava claramente tentando mobilizar um grupo para contestar o processo de certificação. Então, neste sentido, não é uma surpresa. Também não é uma surpresa que o governo não tenha se preparado adequadamente para proteger o Capitólio”. “A invasão não foi uma surpresa. Foi planejada de maneira muito detalhada, as pessoas tinham roupas que diziam ‘guerra civil, 6 de janeiro”, diz.