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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Subnotificação é entrave para monitorar mortes de população trans

Equipe BR Político

O Dossiê: assassinatos e violência contra travestis e transexuais brasileiras em 2019 produzido pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) revelou que no ano passado houve queda no número de pessoas trans assassinadas em relação ao período anterior. Ainda assim, o Brasil se mantém na liderança dos países que mais matam trans no mundo. Em 2017, 179 pessoas trans foram assassinadas, contra 124 em 2019. Pesquisadores sobre o tema ouvidos pelo BRP destacam a subnotificação como entrave ao real monitoramento do índice de assassinatos do gênero.

“O que eu posso te dizer é que esses dados, tanto os da Antra quantos os meus, são subnotificados. Nós temos muito poucos dados, então as inferências que a gente faz não dão uma nitidez para o quadro de violência. O que a gente infere é a partir dos poucos dados que são notificados”, diz Ubirajara Caputo, doutorando do Instituto de Psicologia da USP.

O cientista social Renan Quinalha também cobra do poder público informações sobre os assassinatos. “Não existe nenhuma produção oficial que cuide de todo o território nacional. É um país enorme, tem suas particularidades e essas produções de relatório são feitas pela sociedade civil”, diz.

Segundo ele, com dados incompletos, tampouco é possível apontar as causas da diminuição das mortes, que pode ter sido afetada pela redução de denúncias por sua vez gerada pelo aumento do medo. “Mas é impossível comprovar qualquer delas, justamente porque demandaria um esforço de pesquisa que só o Estado conseguiria fazer”, conclui. / Júlia Vieira, especial para o BRP

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