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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Teich defende isolamento horizontal, mas também atenção com economia e empregos

Gustavo Zucchi

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O novo ministro da Saúde, Nelson Teich, com concordâncias e discordâncias com Jair Bolsonaro. No principal ponto de divergência entre o ex-ministro Henrique Mandetta com o presidente da República, Teich parece se alinhar mais com seu antecessor do que com o novo chefe. Em artigo publicado no último dia 3 de abril, Teich reconhece que o isolamento horizontal, aquele que é aplicado de forma igual para toda população, é a melhor opção no momento contra o covid-19. “Diante da falta de informações detalhadas e completas do comportamento, da morbidade e da letalidade da Covid-19, e com a possibilidade de o Sistema de Saúde não ser capaz de absorver a demanda crescente de pacientes, a opção pelo isolamento horizontal, onde toda a população que não executa atividades essenciais precisa seguir medidas de distanciamento social, é a melhor estratégia no momento”, escreveu.

O oncologista Nelson Teich, escolhido para assumir o Ministério da Saúde no lugar de Mandetta

O oncologista Nelson Teich, escolhido para assumir o Ministério da Saúde no lugar de Mandetta Foto: Reprodução/TV BrasilGov

Continua com críticas ao isolamento vertical, medida defendida não apenas por Bolsonaro, mas pela militância presidencial nas redes sociais e no Parlamento. Teich diz que a medida tem “fragilidades” e que não seria uma solução definitiva para o problema. “Como exemplo, sendo real a informação que a maioria das transmissões acontece à partir de pessoas sem sintomas, se deixarmos as pessoas com maior risco de morte pela Covid-19 em casa e liberarmos aqueles com menor risco para o trabalho, com o passar do tempo teríamos pessoas assintomáticas transmitindo a doença para as famílias, para as pessoas de alto risco que foram isoladas e ficaram em casa.

No rol de semelhanças com o discurso bolsonarista, Teich defende que devem ser tratados de forma semelhante tanto os problemas de Saúde gerados pela pandemia quanto os econômicos. “Esse tipo de problema (a polarização entre Saúde e Economia) é desastroso porque trata estratégias complementares e sinérgicas como se fossem antagônicas. A situação foi conduzida de uma forma inadequada, como se tivéssemos que fazer escolhas entre pessoas e dinheiro, entre pacientes e empresas, entre o bem e o mal”, afirmou. ”

“Quando medimos os benefícios das intervenções em Saúde usando a mortalidade e o sofrimento como desfechos principais e os benefícios da intervenção econômica sendo medidos usando número de empresas que quebram e as perdas financeiras e de empregos, naturalmente criamos um conflito e uma disputa intensa e desigual que impede a percepção de objetivos e metas comuns, e não leva a cooperação no desenho de programas e políticas.”