Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Teses de ‘queima de arquivo’ e ‘tortura’ se chocam no caso Adriano

Equipe BR Político

Como um vulcão em erupção, o caso Adriano da Nóbrega despertou diversas chamas nesta tarde de sábado, 15, justo no dia do Show da Fé. O prefácio da história é a manifestação do senador Flávio Bolsonaro contra a cremação do corpo do ex-capitão da PM-RJ. Dias se passaram até que o presidente Jair Bolsonaro decidiu falar hoje sobre a relação da família Bolsonaro com a milícia. “Zero, zero”, repetiu.

Mas havia mais mensagens a dar. Uma delas é de que Adriano possa ter sido torturado, tese prontamente endossada pelo filho mais velho do presidente na sequência. Uma variável a considerar seria, para o senador, a foto do cadáver mostrada pela revista Veja, por onde se vê claramente o dorso de Adriano costurado. Em tese, um perito legista seria capaz de comprovar ou não sinais parciais de tortura. “Pelo que soube e como mostrou a revista Veja, ele foi torturado”, afirmou ele.

No rol das especulações ventiladas por adversários políticos da família sobre a morte do ex-PM-RJ está a de que os disparos representariam queima de arquivo. As suspeitas, fortemente rechaçadas pela família Bolsonaro, derivam do fato de o ex-acusado de chefiar o Escritório do Crime ter sido homenageado por Flávio quando era deputado na Alerj e também de a ex-mulher e a mãe de Adriano terem trabalhado como assessoras do parlamentar. Esses elementos são investigados em outros casos, o das rachadinhas e o que envolve as operações Os Intocáveis I e II. Diante da ofensiva, o presidente saiu em defesa do filho, dizendo que a homenagem partiu dele.

“Quem foi responsável pela morte do capitão Adriano foi a PM da Bahia do PT. Precisa dizer mais alguma coisa?”, acrescentou ao roteiro Bolsonaro. O ex-capitão da PM-RJ foi morto pela Polícia Militar baiana, comandada pelo governador Rui Costa (PT). Como previsto, o petista reagiu com virulência. Tocou justamente na tecla que Bolsonaro tenta arrancar. “O Governo do Estado da Bahia não mantém laços de amizade nem presta homenagens a bandidos nem procurados pela Justiça”, escreveu. Costa ainda aproveitou para inserir dois rodapés: o de que houve confronto entre o ex-PM-RJ e a PM-BA e outro citando “laços de amizade (dos MARGINAIS) com a Presidência”. “Na Bahia, a determinação é cumprir ordem judicial e prender criminosos com vida. Mas se estes atiram contra Pais e Mães de família q representam a sociedade, os mesmos têm o direito de salvar suas próprias vidas, mesmo q os MARGINAIS mantenham laços de amizade com a Presidência”, escreveu mais uma vez em um segundo tuíte.

Vários depoimentos de especialistas em segurança e Direito vieram à tona recentemente para dizer tanto que melhor seria para as investigações dos homicídios atribuídos a Adriano se ele tivesse saído vivo da operação policial quanto que havia condições técnicas para cumprir essa missão.