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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Todo mundo cancelado

Vera Magalhães

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A cultura do cancelamento, um dos fatos de 2020, sobrevive à pandemia. O fim de semana foi farto de tentativas de “cancelar” pessoas nas redes sociais, da esquerda à direita.

Em pleno Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, celebrado em 25 de julho em homenagem a Tereza de Benguela, líder quilombola da resistência do povo negro, uma discussão entre as ativistas Djamila Ribeiro e Letícia Parks levou a que boa parte do próprio movimento se voltasse contra a filósofa, que, numa live com o deputado Marcelo Freixo (PSOL-RJ), se referiu a Letícia como a “clarinha de turbante”.

Em outra frente, a cantora Paula Toller também foi alvo de tentativas de “cancelamento”, por ter supostamente apoio a Jair Bolsonaro. A cantora, líder da banda Kid Abelha, entrou na Justiça contra o ex-namorado e ex-parceiro musical Leoni por ter usado a música Pintura Íntima, de autoria de ambos, na campanha de Fernando Haddad em 2018.

Usuários do Twitter reeditaram esse episódio depois de live da cantora na semana passada, em que ela teria manifestado apoio a Bolsonaro. Ela removeu a live do YouTube e, há dois dias, postou um clipe de “Errei Sim”, de Ataulfo Alves, mas não se pronunciou sobre o cancelamento ou a polêmica.

Por fim, sobrou até para a chef Paola Carosella, “cancelada” depois de se manifestar em suas redes sociais e no programa MasterChef contra tecnologias de “impressão” de comida em 3D. Ela disse que isso não é comida de verdade e que pode ser fator de agravamento para a obesidade. Foi acusada de gordofobia, apesar de não ter feito nenhuma consideração de caráter estético, mas apenas de saúde. A obesidade é um dos principais fatores de risco para covid-19, além de ser classificada como epidemia pela Organização Mundial de Saúde.