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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Toffoli vê ‘áreas de excelência’ no governo Bolsonaro

Vera Magalhães

Historicamente criticado pela direita por ter sido assessor de José Dirceu e do PT, ministro do governo Lula e por ter chegado ao STF aos 42 anos indicado pelo petista, o atual presidente da Corte, José Antonio Dias Toffoli, defendeu em entrevista ao Estadão a existência de “áreas de excelência” no governo Jair Bolsonaro e relativizou até mesmo o caráter autoritário de declarações e atos do presidente, admitindo que ele deveria atentar mais à “ritualística” do cargo, mas contemporizando quanto a que isso represente risco à democracia.

“É evidente que a responsabilidade de um cargo impõe uma ritualística mais rigorosa para o uso de determinadas expressões, que às vezes pode ser o uso do ponto de vista de uma alegoria, mas que vindo de determinadas autoridades passa a ter um outro peso. São manifestações que devem ser mais comedidas e mais pensadas. Mas, do ponto de vista da relação entre os poderes, o que eu posso dizer é que ao longo deste ano as relações foram cordiais e de fácil diálogo entre o Poder Judiciário e o Poder Executivo como um todo”, declarou.

Ele atribuiu as tensões ao longo de 2019 a uma natural transição entre décadas de governos de centro-esquerda para um de direita. Toffoli atribui a mudança a “um cansaço da população seja com corrupção, seja com pessoas que a população já não queria mais ver como seus representantes” e a um desejo de “destravar o Estado”.

Não é de hoje que as relações entre Toffoli e Bolsonaro melhoraram. Ele foi responsável, em julho, pela liminar que, atendendo a um pedido da defesa de Flávio Bolsonaro, sustou o caso Fabrício Queiroz.

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