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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Toffoli vê chance para militares ‘virarem a página’

Equipe BR Político

Entre bolinhos de bacalhau, pasteizinhos de queijo e pãezinhos, o presidente do STF, Dias Toffoli, tentou afastar em entrevista ao Valor a existência de uma crise dentro e fora do STF. Durante um almoço de mais de duas horas, Toffoli não colocou obstáculos às perguntas sobre a censura imposta pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, em nome do inquérito que apura fake news e ameaças contra ministros da Corte, mas rejeitou se referir à ordem que retirou do ar reportagem da revista Crusoé e do site O Antagonista como censura. “Se você publica uma matéria chamando alguém de criminoso, acusando alguém de ter participado de um esquema, e isso é uma inverdade, tem que ser tirado do ar. Ponto. Simples assim”, justificou.

Identificado como sendo “um liberal clássico”, Toffoli vê, no governo de Bolsonaro, a chance para os militares “virarem a página”. “Eu sempre trabalhei com militares. São pessoas extremamente qualificadas, leais, defensores da democracia. Eles vão para a reserva e tem espírito de serviço público. Às vezes eles são subaproveitados por conta do preço que pagaram no passado de terem ficado 21 anos no poder, e se criou um certo preconceito.” Sobre as revisões históricas defendidas pelo bolsonarismo em relação a 1964, Toffoli afirma que “foi uma ruptura, foi um golpe, à medida que o presidente ainda estava em território nacional e se decretou a vacância do cargo”.