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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Trad: ‘Brasil não pode aceitar taxação passivamente’

Marcelo de Moraes

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O presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, Nelsinho Trad (PSD-MS), defende que o governo brasileiro tenha uma posição firme em reação à decisão dos Estados Unidos de retomar as tarifas sobre o aço e o alumínio brasileiro. A decisão foi anunciada hoje pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, através do seu Twitter e também afeta a Argentina. Trad disse ao BRPolítico que a Comissão de Relações Exteriores vai discutir o problema na quinta-feira, quando tem sessão ordinária. Mas ele defende que o Brasil “não aceite essa faca no pescoço”.

BRP – A Comissão de Relações Exteriores vai discutir a decisão americana de tarifar o aço e o alumínio do Brasil?

Trad – “Vamos discutir esse assunto sim no âmbito da comissão. Vamos esperar a primeira reunião ordinária para a gente poder levar essa questão. Porque não soou bem isso. O Brasil não fez essa desvalorização cambial de propósito. Essa flutuação cambial é algo natural da nossa economia. E o que a gente observa nessa medida foi uma retaliação por parte do presidente dos Estados Unidos mais para poder atender politicamente ao setor do agronegócio de lá. Com essa desvalorização do real, o setor do agronegócio dos Estados Unidos sofre muito. Então, como ele está em campanha, eu penso que essa é uma medida nesse sentido. Mas isso não soou bem para a gente”.

BRP – Como o senhor avalia que deve ser a reação brasileira?

Trad – “Eu entendo que o Brasil tem de ter uma posição mais firme. É lógico que tem de procurar um entendimento nessa questão. Sou sempre a favor do diálogo. Já que tem esse canal aberto, precisa procurar resolver isso para que o setor não fique prejudicado”.

BRP – A Comissão de Relações Exteriores vai tratar de que maneira esse assunto?

Trad – “Já trataremos do problema na nossa próxima sessão. Podemos organizar uma audiência pública para discutir e esmiuçar esse assunto. Temos alternativas dentro da Comissão para poder somar forças junto ao Brasil no sentido de verificar que não vamos ficar passivos numa retaliação dessa natureza”.

BRP – O Brasil está até hoje sem um embaixador oficial nos Estados Unidos. Primeiro, foi retirada a indicação de Eduardo Bolsonaro. Agora, a indicação de Nestor Forster ainda não chegou na Comissão de Relações Exteriores do Senado para ser analisada. Não ter embaixador durante todo esse tempo nos EUA atrapalhou?

Trad – “Não atrapalhou. O embaixador não está de direito. Mas, de facto, ele está lá. Ele já está atuando na Embaixada e eu penso que ele deva também ter um papel mais ativo nessa questão, juntamente com os técnicos do Itamaraty, para a gente poder fazer esse debate”.

BRP – O senhor espera que o Brasil faça algum tipo de retaliação aos produtos americanos depois do anúncio de hoje?

Trad: “O Brasil não pode aceitar isso passivamente. Porque qualquer situação que pareça fora do normal na nossa economia para eles, mas que para a gente possa parecer natural, a gente vai levar uma faca dessas no pescoço? Não é por aí. Nosso País está sendo visto pelo mundo como um país forte, pujante, que tem tudo para poder dar certo. Já votamos as reformas. Não é por aí. Eu penso que o presidente Bolsonaro tem de agir como sempre age, demarcando território para mostrar que o Brasil não é mais aquele Brasil de antigamente, que aceitava qualquer tipo de faca no pescoço. Não podemos agir dessa forma”.

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