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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Transferência de miliciano para Queiroz: ao menos R$ 400 mil

Equipe BR Político

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O Ministério Público do Rio de Janeiro afirma que o miliciano Adriano Magalhães da Nóbrega, o Capitão Adriano, possa ter transferido mais de R$ 400 mil para as contas de Fabrício Queiroz, ex-PM apontado como operador financeiro de organização criminosa instalada no gabinete do senador Flávio Bolsonaro quando deputado estadual no Rio. Queiroz foi preso na quinta, 18, em Atibaia (SP), numa propriedade do advogado Frederick Wassef, advogado de Flávio,  amigo da família Bolsonaro e defensor do presidente Jair Bolsonaro no caso da facada, segundo o próprio chefe do Planalto.

O miliciano Adriano da Nóbrega, o Capitão Adriano, e o ex-assessor Fabrício Queiroz

O miliciano Adriano da Nóbrega, o Capitão Adriano, e o ex-assessor Fabrício Queiroz Foto: Polícia Civil/Reprodução

A ex-mulher do miliciano Danielle Mendonça da Nóbrega e sua mãe, Raimunda Veras Magalhães, eram empregadas no gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio. Juntas as duas receberam R$ 1 milhão em salários e devolveram pelo menos R$ 202 mil em transferências identificadas para conta de Queiroz e outros R$ 200 mil ainda não identificados.

Quando ainda era policial militar – chegou a ser capitão do BOPE -, Adriano trabalhou com Queiroz no batalhão de Jacarepaguá, na zona oeste da capital fluminense. Ele respondem juntos a um homicídio registrado como “auto de resistência”.

Segundo dados de geolocalização obtidos pelos investigadores a partir do rastreio do celular Raimunda, ela jamais teria aparecido nas cercanias da Alerj no período em que deveria exercer a função pública.

Pizzarias

Na representação enviada à Justiça para deflagração da Operação Anjo – que mirou ainda ex-assessores da Alerj, um servidor que foi afastado e um advogado – o Ministério Público do Rio de Janeiro indicou que há registros nos dados bancários de Queiroz que indicam que uma pizzaria administrada por Raimunda e uma outra pizzaria administrada pelo próprio miliciano transferiram R$ 69,250 mil para o suposto operador financeiro de Flávio.

“Não se pode perder de vista que no período de janeiro de 2016 a janeiro de 2017 foram efetuados 17 depósitos em espécie na conta corrente de Fabrício Queiroz, totalizando R$ 91.796, na agência Rio Comprido do Banco Itaú, localizada na mesma rua dos restaurantes administrados por Raimunda Veras Magalhães”, registra ainda a decisão do juiz Flávio Nicolau, da 27ª Vara Criminal do Rio, que mandou prender Queiroz e sua mulher Márcia Oliveira de Aguiar, atualmente foragida.