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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Trump cita Brasil como mau exemplo nesta pandemia

Equipe BR Político

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Enquanto o presidente Jair Bolsonaro segue com sua lista de prioridades de governança, encabeçada nesta semana com os atos contra o governo previstos para domingo, seu homólogo nos Estados Unidos manda um recado indigesto sobre a matança provocada dia a dia pelo novo coronavírus no Brasil: “Se você olha para o Brasil, eles estão num momento bem difícil. E, falando nisso, (no Brasil) continuam falando da Suécia. Voltou a assombrar a Suécia. A Suécia também está passando por dificuldades terríveis. Se tivéssemos agido assim (relaxamento social), teríamos perdido 1 milhão, 1,5 milhão, talvez 2,5 milhões ou até mais”, afirmou Donald Trump na Casa Branca nesta sexta, 5.

O presidente do Estados Unidos, Donald Trump com o presidente Jair Bolsonaro e Fábio Wajngarten ao fundo

O presidente do Estados Unidos, Donald Trump com o presidente Jair Bolsonaro e Fábio Wajngarten ao fundo Foto: Alan Santos/AFP

A Suécia, já citada por Bolsonaro como bom exemplo diante da pandemia, não impôs quarentenas e decidiu se basear principalmente em medidas voluntárias de distanciamento social e higiene pessoal, mantendo a maioria das escolas, restaurantes e empresas abertas. Como resultado, a Suécia tem um número muito maior de casos de covid-19 do que seus vizinhos nórdicos.

O Brasil é o segundo do mundo em número de casos, com quase 615 mil infecções confirmadas pelo Ministério da Saúde e 34.021 mortes, mas tem neste momento a maior taxa de aceleração da doença no mundo, uma vez que quase diariamente registra mais casos e mortes do que os EUA.

Ontem, o chefe do Planalto passou a maior parte de sua live semanal pedindo para que seus seguidores não saiam para se manifestar porque só vai dar “terroristas, maconheiro e marginais” nas ruas. Hoje, se reuniu com o secretário de Segurança do Distrito Federal para avaliar a possibilidade de enviar a Força Nacional de Segurança Pública à agenda em Brasília. O temor de vários partidos, que aos poucos divulgam manuais de conduta para os atos, é de que infiltrados comecem o quebra-quebra para que depois os organizadores das manifestações pró-democracia sejam responsabilizados. A reação de Bolsonaro deverá ditar os próximos passos de uma crise institucional que passou os últimos dias latente, mas longe de ser superada.